A Aventura Improvável de Zé do Pijama e Seu Frango Falante
A Aventura Improvável de Zé do Pijama e Seu Frango Falante
Era uma vez, em um pequeno vilarejo chamado Pindorama do Norte, um homem chamado Zé do Pijama. Zé era conhecido por duas coisas: primeiro, por nunca tirar seu pijama listrado de bolinhas vermelhas, nem mesmo para ir ao casamento da própria irmã; e segundo, por sua incrível habilidade de se meter em confusões tão absurdas que até os cachorros da rua paravam para rir.
Zé vivia uma vida simples. Ele trabalhava como entregador de coco verde (sim, aqueles cocos que ainda não têm água dentro) e passava as noites jogando baralho com seus amigos na pracinha. Sua vida era pacata, até que um dia, algo extraordinário aconteceu.
Enquanto Zé caminhava para casa após um dia exaustivo de entregas, ele ouviu um barulho estranho vindo de um beco escuro. Curioso como sempre, ele decidiu investigar. Lá, encontrou um frango. Não um frango qualquer, mas um frango falante. E não era um frango educado, não. Ele xingava como um marinheiro bêbado.
— O que você tá olhando, seu zé-ninguém? — disse o frango, com um sotaque que parecia uma mistura de carioca com gaúcho.
Zé, que já estava acostumado com situações estranhas (afinal, ele já tinha sido perseguido por uma galinha cega e uma vez confundiu um cacto com seu tio-avô), apenas levantou as sobrancelhas e respondeu:
— Tô olhando pra um frango que fala. E você, o que tá fazendo aqui?
— Tô fugindo, seu palerma! — gritou o frango. — Meu dono é um maluco que quer me transformar em canja! Me ajuda ou eu te denuncio pra polícia por assédio animal!
Zé suspirou. Ele sabia que aquela noite seria longa.
A Fuga Improvisada
Sem muita escolha, Zé pegou o frango (que se chamava Clóvis, segundo ele mesmo) e o levou para casa. No caminho, Clóvis não parava de reclamar:
— Cê tá me segurando errado, seu jegue! Eu não sou um pacote de arroz! E olha essa rua esburacada, parece a cara da sua mãe!
Zé ignorou os insultos e focou no problema: como esconder um frango falante e mal-educado em uma cidade onde todo mundo conhecia todo mundo? A solução veio quando ele lembrou que sua tia-avó, Dona Maria das Dores, tinha um galinheiro no quintal. Ele podia esconder Clóvis lá até pensar em algo melhor.
Chegando em casa, Zé apresentou Clóvis às outras galinhas. Elas olharam para o frango com desdém.
— Quem é esse palhaço? — cacarejou uma galinha morena.
— Sou o Clóvis, seu frango superior. E você deve ser a rainha daqui, né? Tá com cara de quem botou um ovo quadrado.
As galinhas riram, e Clóvis instantaneamente se tornou o centro das atenções. Zé respirou aliviado, pensando que o pior tinha passado. Ele não podia estar mais enganado.
O Dono do Frango
No dia seguinte, a cidade acordou com a notícia de que o famoso chef de cozinha, Marcelo Molho Branco, estava em Pindorama do Norte em busca de seu frango premiado, que havia fugido. Marcelo oferecia uma recompensa de 10 mil reais para quem encontrasse Clóvis.
Zé, é claro, ficou em pânico. Ele não queria entregar Clóvis para ser transformado em canja, mas 10 mil reais eram 10 mil reais. Enquanto ele debatia consigo mesmo, Clóvis apareceu na janela da cozinha.
— Cê tá pensando em me vender, né? — perguntou o frango, com um olhar acusador.
— Não! — mentiu Zé, escondendo o cartaz de "Procura-se" atrás das costas.
— Seu mentiroso! Eu vi o cartaz! Mas tudo bem, eu tenho um plano. A gente pode enganar o Marcelo e pegar a recompensa.
— Como assim? — perguntou Zé, intrigado.
— Simples. Você me entrega, pega o dinheiro, e eu fujo de novo. Ele nunca vai me pegar, sou muito esperto.
Zé hesitou, mas acabou concordando. Afinal, ele nunca tinha conhecido um frango tão esperto (ou tão sarcástico).
O Grande Plano
No dia marcado, Zé levou Clóvis para o restaurante onde Marcelo estava hospedado. O chef ficou emocionado ao ver seu frango premiado.
— Clóvis! Você voltou! — exclamou Marcelo, com lágrimas nos olhos.
— Voltei nada, seu doido. Tô aqui só pelo dinheiro — respondeu Clóvis, fazendo Zé engasgar de nervoso.
Marcelo ignorou o comentário e entregou a recompensa a Zé. No momento em que o dinheiro mudou de mãos, Clóvis deu uma bicada no nariz do chef e saiu correndo pela porta, gritando:
— Tchau, trouxas! Vou pra Cancún!
Zé tentou parecer surpreso, mas não conseguiu segurar o riso. Marcelo, furioso, começou a perseguir Clóvis pela cidade, enquanto Zé aproveitou para sumir no meio da confusão.
O Final (Ou Não)
No final do dia, Clóvis apareceu no telhado da casa de Zé, segurando um sorvete de casquinha.
— E aí, seu bobo, conseguiu gastar o dinheiro? — perguntou o frango.
— Ainda não — respondeu Zé, rindo. — Mas acho que vou comprar uma passagem pra Cancún. Parece que lá é um bom lugar pra esconder um frango falante.
Clóvis riu e deu uma bicada amigável na cabeça de Zé.
— Você até que é um bom parceiro, seu zé-ninguém. Vamos fazer mais dinheiro juntos?
Zé sorriu. Ele sabia que sua vida nunca mais seria a mesma, mas, com Clóvis ao seu lado, pelo menos nunca seria entediante.
E assim, Zé do Pijama e seu frango falante começaram uma nova vida cheia de aventuras, confusões e, claro, muitas risadas.
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