A Máscara da Vingança
A Máscara da Vingança
Em uma cidade mergulhada em desilusões e injustiças, Leandro Andrade era apenas mais um homem comum, sufocado pelas frustrações da vida. Sempre esforçado, mas nunca reconhecido, ele havia sido traído por amigos, humilhado no trabalho e abandonado por quem mais amava. A raiva crescia em seu coração como uma tempestade contida, esperando o momento certo para se libertar.
Numa noite chuvosa, vagando sem rumo pelas ruas sombrias, Leandro encontrou uma loja de antiguidades. Algo o atraiu para o interior poeirento do local. No fundo da loja, escondida entre objetos esquecidos, havia uma máscara de metal negro com entalhes místicos. O dono da loja, um velho enigmático, advertiu-o de que a máscara carregava um poder ancestral. Segundo as lendas, a máscara pertencia a uma seita secreta da antiguidade que acreditava que a verdadeira justiça só poderia ser feita por aqueles dispostos a sacrificar sua própria humanidade. O velho alertou que, uma vez usada, ela nunca mais o deixaria.
Leandro não hesitou. Ele sentia que aquele objeto o chamava. Ao colocar a máscara em seu rosto, uma energia sombria o envolveu. Seus pensamentos mais profundos, reprimidos por anos, emergiram como uma voz sussurrante em sua mente. Ele sentiu uma força avassaladora, seus sentidos ampliados e seu corpo tomado por habilidades sobre-humanas. Podia enxergar no escuro, ouvir sussurros a quilômetros de distância e se mover com velocidade sobre-humana. Seu corpo parecia invulnerável, mas o que mais o intrigava era a forma como sua mente se tornava fria, calculista. Agora, ele não era apenas Leandro. Era algo mais. Algo que a cidade aprenderia a temer.
Os primeiros alvos foram aqueles que mais o feriram. O chefe que o rebaixou, os colegas que o humilharam, a mulher que o traiu. Um a um, desapareceram em circunstâncias brutais e enigmáticas. A máscara guiava sua mão, e cada morte parecia uma catarse. Mas, à medida que os corpos se acumulavam, a polícia começou a notar padrões nos crimes. O detetive Esteban Vargas assumiu o caso, obcecado em capturar o assassino que a mídia apelidou de "O Espectro".
Entretanto, Leandro não estava satisfeito apenas com vingança pessoal. Seus olhos logo se voltaram para os verdadeiros monstros da sociedade: criminosos impunes, juízes corruptos, políticos que vendiam a cidade por dinheiro sujo. Cada novo ato de justiça deixava um rastro de sangue e medo. O Espectro não era um mero assassino em série, mas um executor das trevas.
A caça se intensificava. Vargas e sua equipe corriam contra o tempo, mas Leandro era inatingível. A máscara o transformava em algo sobre-humano, permitindo-lhe escapar como uma sombra. Mas havia um preço. Sempre que retirava a máscara, ele sentia sua humanidade se esvair um pouco mais. Pesadelos o assombravam, sussurros ecoavam em sua mente mesmo quando estava desperto. Era como se a máscara não fosse apenas um artefato, mas uma entidade que se alimentava de sua alma.
O detetive Vargas encontrou uma pista crucial: um fragmento de metal negro deixado em uma cena de crime. Pesquisando a fundo, ele descobriu lendas antigas sobre um artefato que concedia poder ao preço da própria alma. Ele sabia que não estava lidando com um criminoso comum, mas com algo muito mais perigoso.
Enquanto a investigação se fechava sobre ele, Leandro se via em um dilema. Seria ele um vingador ou um monstro? E se a máscara já tivesse planos além de sua vontade? Vargas, após intensas buscas, localizou a loja onde Leandro encontrou a máscara, mas o estabelecimento não existia mais, como se nunca tivesse estado ali.
Em uma noite fatídica, Vargas armou uma emboscada. Durante o confronto final, Leandro percebeu que a máscara não lhe daria outra opção além da violência. Mas, em um ato inesperado, arrancou-a do rosto e a lançou no fogo, tentando se libertar. A máscara gritou como se fosse uma entidade viva, tentando resistir às chamas. Mas quando finalmente se desfez, Leandro caiu de joelhos, fraco e envelhecido como se décadas tivessem sido roubadas de sua vida.
Preso e condenado, Leandro nunca explicou o que aconteceu. No entanto, nas profundezas da cidade, entre as sombras de um beco esquecido, uma nova loja de antiguidades surgiu. E, no meio de prateleiras poeirentas, uma máscara negra aguardava seu próximo portador.
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