O Ceifador de Almas
O Ceifador de Almas
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Capítulo 1: O Convite Sombrio
A brisa noturna carregava um cheiro de mofo e deterioração enquanto um grupo de cinco amigos se reunia em um parque à luz da lua. Era uma tradição deles explorar locais abandonados, mas aquela noite era diferente. A mensagem anônima que haviam recebido falava de um antigo hospital, agora esquecido e tomado pelo tempo. Os rumores eram aterrorizantes: dizia-se que aqueles que entravam nunca saíam.
“É só um lugar abandonado”, disse Carla, tentando esconder seu nervosismo. “Vamos, isso só vai ser mais uma aventura.”
“Você não ouviu as histórias?” rebateu Rômulo, seu olhar nervoso. “Dizem que um ser se esconde lá, algo que se alimenta do arrependimento das pessoas.”
“Então, vamos encarar esse tal de Ceifador de Almas”, disse Lucas, com uma risada nervosa. “O que poderia dar errado?”
Capítulo 2: O Hospital
Após uma caminhada de trinta minutos, chegaram à entrada do hospital. As janelas estavam quebradas, e a fachada, coberta de grafites, parecia chorar pelo abandono. Carla puxou a porta de metal, que rangia em protesto ao abrir. O cheiro de podridão e mofo invadiu suas narinas, e um calafrio percorreu suas espinhas.
“Espero que isso não seja uma má ideia”, disse Ana, hesitante.
“Vamos, o que estamos esperando?” Lucas exclamou, acendendo uma lanterna.
O grupo avançou pelo corredor escuro, os sons de seus passos ecoando nas paredes desgastadas. A luz da lanterna revelava mesas de cirurgia cobertas de poeira, instrumentos enferrujados e fotos desbotadas dos antigos funcionários.
Capítulo 3: Primeiras Impressões
Enquanto exploravam, algo peculiar começou a acontecer. Eles se sentiam observados, como se olhos invisíveis os seguissem. Carla olhou para trás e viu uma sombra se movendo rapidamente, mas quando virou a cabeça, não havia nada.
“Alguém mais sentiu isso?” ela perguntou, o medo tomando conta.
“Deve ser a nossa imaginação”, respondeu Rômulo, embora sua voz tremesse. “Vamos nos concentrar na exploração.”
À medida que caminhavam mais fundo no hospital, as paredes pareciam sussurrar, e um vento gelado percorreu o corredor. As memórias de cada um começaram a surgir, fragmentos de arrependimentos e segredos que eles haviam guardado por muito tempo.
Capítulo 4: O Primeiro Encontro
De repente, um grito ecoou pelos corredores, e o grupo se virou rapidamente. Ana estava pálida e tremendo, apontando para uma porta entreaberta. “Alguém… alguém está lá dentro!”
Sem hesitar, Rômulo decidiu entrar, mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, uma figura sombria surgiu. Era uma entidade envolta em sombras, com olhos vazios que pareciam devorar a luz.
“Você se atreve a entrar em meu domínio?” a voz da entidade ressoou, um sussurro que fez as paredes tremerem.
#Capítulo 5: Memórias e Arrependimentos
O grupo correu, mas a entidade parecia sempre à frente deles, como se soubesse exatamente onde estavam. Carla, com o coração disparado, parou para respirar, e as memórias começaram a inundá-la. Imagens de um passado doloroso a assolaram: a traição a um amigo, um sonho que havia abandonado, e a culpa que a acompanhava.
“Precisamos sair daqui!” gritou Lucas, mas seus olhos estavam perdidos em suas próprias lembranças.
Cada um dos amigos começou a se perder em suas memórias sombrias, e o Ceifador de Almas se alimentava de seus arrependimentos. Um por um, eles começaram a sucumbir à culpa.
Capítulo 6: A Primeira Perda
O grupo se separou na confusão, e Carla, em sua tentativa de escapar, encontrou Rômulo parado em um dos quartos, a expressão vazia. “Rômulo, o que você está fazendo?” ela perguntou, apavorada.
“Eu não deveria ter deixado meu irmão ir”, ele respondeu, lágrimas escorrendo por seu rosto. “Eu… eu não consegui salvá-lo.”
Antes que Carla pudesse reagir, a entidade apareceu atrás de Rômulo. Ele olhou para ela, e a sombra envolveu seu corpo, sugando-o para dentro de si. O grito dele foi engolido pela escuridão, e Carla caiu para trás, paralisada pelo horror.
Capítulo 7: A Decisão Difícil
Desesperada, Carla se juntou a Ana e Lucas, que estavam tentando se recuperar do choque. “Precisamos sair daqui agora!” ela gritou, mas a entidade os cercava.
“Precisamos enfrentar nossos medos”, disse Ana, com a voz trêmula. “Se não fizermos isso, todos nós seremos consumidos.”
“Como podemos enfrentar algo que não entendemos?” Lucas perguntou, apavorado.
“Precisamos confrontar nossos arrependimentos, entender o que nos trouxe até aqui”, Carla sugeriu, determinada.
Capítulo 8: Encarando os Demônios
Juntos, eles se sentaram em círculo, cada um compartilhando seus arrependimentos. Ana revelou seu medo de não ter defendido uma amiga que estava sendo vítima de bullying, e como isso a assombrava.
Lucas, por outro lado, falou sobre a vez em que se afastou da mãe doente, incapaz de suportar a dor de vê-la sofrer. “Eu não fui forte o suficiente”, ele disse, as lágrimas caindo.
Carla, por sua vez, confessou seu arrependimento por não ter sido uma amiga melhor para Rômulo e por não ter ajudado seu irmão. Assim que as palavras saíram de seus lábios, a entidade se contorceu, como se sentisse a dor de suas confissões.
Capítulo 9: A Última Luta
Com cada palavra, a luz começava a retornar, e a sombra da entidade se enfraquecia. “Nossos arrependimentos não devem nos definir”, Carla declarou, ganhando força. “Devemos aprender com eles e seguir em frente!”
A entidade, agora instável, avançou em direção a eles. “Você não pode escapar de mim!” sua voz ecoou, mas a coragem de Carla e seus amigos parecia cada vez mais intensa.
Capítulo 10: A Libertação
No momento final, Carla se levantou e confrontou a entidade. “Você não é nada além de um reflexo dos nossos medos! Vamos nos libertar de você!”
Com um grito coletivo, os amigos uniram suas forças, e uma luz brilhante os envolveu, dissipando as sombras. A entidade gritou e se desfez em uma explosão de escuridão, deixando para trás uma sensação de alívio.
Capítulo 11: O Sacrifício de Rômulo
No entanto, a vitória teve um preço. Rômulo, que havia sido consumido pela entidade, ficou para trás, uma memória perdida no hospital. Carla e Ana se entreolharam, a dor da perda pesada em seus corações.
“Precisamos sair daqui”, disse Ana, com lágrimas nos olhos. Elas encontraram a saída, mas a ausência de Rômulo pesava sobre elas.
Capítulo 12: O Legado do Passado
Ao sair do hospital, o amanhecer iluminou o céu, trazendo uma nova esperança. Carla e Ana se abraçaram, sabendo que haviam enfrentado seus demônios. O Ceifador de Almas havia sido derrotado, mas a dor da perda de Rômulo ainda permanecia.
“Ele não será esquecido”, disse Carla, olhando para o céu. “A luta contra nossos medos é contínua, mas agora sabemos que podemos superá-los juntos.”
Capítulo 13: A Nova Vida
A experiência no hospital as uniu ainda mais. Carla e Ana decidiram criar um grupo de apoio para ajudar outras pessoas a enfrentar seus arrependimentos e medos. Com o tempo, elas se tornaram defensoras da saúde mental, usando sua história para ajudar aqueles que também estavam perdidos.
Enquanto as noites de lua cheia continuavam a surgir, a lembrança de Rômulo sempre esteve com elas, um lembrete do poder da amizade e da coragem.
Epílogo: O Eco do Passado
Os ecos do Ceifador de Almas ainda podiam ser sentidos na cidade, mas agora as pessoas falavam sobre suas experiências e enfrentavam seus medos. O antigo hospital, uma vez um símbolo de terror, se tornou um lugar de aprendizado e cura.
E em cada lua cheia, as histórias de coragem e superação eram compartilhadas, iluminando a escuridão e mostrando que, mesmo nas noites mais sombrias, a luz da esperança pode prevalecer.
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