A Hora do Pesadelo
A Hora do Pesadelo
Era uma vez, em uma pequena cidade cercada por densas florestas e montanhas, um lugar chamado Ravenswood. A cidade era conhecida por sua tranquilidade e por suas histórias antigas, muitas delas envolvendo mistérios e lendas sombrias. Entre essas histórias, uma se destacava: a lenda da "Hora do Pesadelo".
Diziam que, há séculos, uma bruxa havia sido condenada à morte pelos moradores da cidade. Antes de ser queimada na fogueira, ela lançou uma maldição sobre Ravenswood. A cada cem anos, durante uma noite específica, o espírito da bruxa voltaria para assombrar os sonhos dos habitantes, transformando-os em pesadelos tão reais que poderiam matar. Aquela noite era conhecida como a Hora do Pesadelo.
Os mais velhos contavam que, na última vez que a maldição se manifestou, várias pessoas desapareceram ou foram encontradas mortas em seus leitos, com expressões de terror congeladas em seus rostos. A cidade sobreviveu, mas o trauma deixou marcas profundas. Agora, após exatos cem anos, a Hora do Pesadelo estava prestes a retornar.
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O Despertar da Maldição
Na véspera da temida noite, a jovem Clara, de 17 anos, estava em casa com sua família. Clara era uma garota curiosa e corajosa, mas cética em relação às lendas da cidade. Para ela, a Hora do Pesadelo não passava de uma história inventada para assustar crianças. No entanto, sua avó, uma mulher sábia e respeitada na comunidade, insistia que a maldição era real.
— Clara, você precisa ter cuidado esta noite — disse a avó, segurando firmemente a mão da neta. — Feche as janelas, tranque as portas e não durma antes da meia-noite. A bruxa só pode entrar em seus sonhos se você estiver dormindo.
Clara riu, mas prometeu seguir os conselhos da avó, mais para tranquilizá-la do que por acreditar nas palavras. Quando a noite caiu, a cidade ficou estranhamente silenciosa. As ruas, normalmente movimentadas, estavam desertas. As casas estavam todas fechadas, e até os animais pareciam sentir a tensão no ar.
À medida que as horas passavam, Clara começou a sentir uma inquietação estranha. O vento uivava do lado de fora, e sombras pareciam se mover nas janelas. Ela tentou se distrair lendo um livro, mas não conseguia se concentrar. Quando o relógio marcou 23h45, ela decidiu deitar-se, pensando que tudo não passava de uma bobagem.
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O Pesadelo Começa
Clara adormeceu rapidamente, mas logo seu sono foi invadido por sonhos perturbadores. Ela se viu em um bosque escuro, com árvores retorcidas e um céu vermelho como sangue. O ar estava pesado, e ela podia ouvir sussurros ao seu redor. De repente, uma figura surgiu à sua frente: uma mulher alta, vestida com trapos negros, com olhos brilhantes e um sorriso maligno.
— Você não deveria ter dormido, Clara — disse a bruxa, sua voz ecoando como um trovão distante. — Agora, você é minha.
Clara tentou correr, mas suas pernas não respondiam. A bruxa se aproximou, estendendo uma mão ossuda em sua direção. Clara sentiu uma dor aguda no peito, como se algo estivesse sendo arrancado de dentro dela. Ela gritou, mas nenhum som saiu de sua boca.
De repente, ela acordou, suando e tremendo. O quarto estava escuro, mas ela podia sentir uma presença ao seu lado. Era a bruxa, agora em sua forma física, com um sorriso grotesco estampado no rosto.
— Você não pode escapar, Clara — sussurrou a bruxa. — Esta é a Hora do Pesadelo, e eu vim para cobrar minha dívida.
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A Luta pela Sobrevivência
Clara sabia que precisava agir rápido. Ela se lembrou das histórias da avó, que diziam que a bruxa só podia ser derrotada com luz e coragem. Ela pegou uma lanterna que estava em sua mesa de cabeceira e a acendeu, apontando-a diretamente para a bruxa. A criatura gritou de dor, recuando para as sombras.
— Isso não vai me deter! — rugiu a bruxa, mas Clara já estava em pé, determinada a lutar.
Ela correu para o quarto da avó, que estava acordada, segurando um velho livro de feitiços. A avó havia previsto o perigo e estava preparada.
— Clara, você precisa recitar estas palavras — disse a avó, apontando para uma página do livro. — Mas tenha cuidado, a bruxa fará de tudo para impedir você.
Clara começou a ler as palavras em voz alta, enquanto a bruxa avançava em sua direção. O chão tremia, e os móveis voavam pelo quarto. A avó se colocou na frente de Clara, protegendo-a com seu próprio corpo.
— Termine, Clara! — gritou a avó, enquanto a bruxa a agarrava, fazendo-a desaparecer em uma nuvem de fumaça negra.
Com lágrimas nos olhos, Clara terminou o feitiço. Uma luz brilhante encheu o quarto, e a bruxa soltou um grito agonizante antes de ser consumida pelas chamas. A maldição estava quebrada.
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O Amanhecer
Quando o sol nasceu, a cidade de Ravenswood acordou como se nada tivesse acontecido. As pessoas saíram de suas casas, aliviadas por terem sobrevivido à noite. Clara, no entanto, sabia que a vitória tinha um custo. Sua avó havia sacrificado sua vida para salvá-la e a cidade.
Nos anos que se seguiram, Clara se tornou a guardiã de Ravenswood, protegendo a cidade de qualquer ameaça que pudesse surgir. Ela nunca mais duvidou das lendas e histórias da cidade, pois sabia que, às vezes, os pesadelos podem se tornar realidade.
E assim, a Hora do Pesadelo se tornou uma lembrança distante, mas Clara nunca esqueceu a coragem de sua avó e o preço que pagaram pela liberdade. A cidade continuou a prosperar, mas todos sabiam que, em algum lugar nas sombras, a bruxa ainda poderia estar esperando por sua próxima chance.
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