Terra Vermelha
Terra Vermelha
Prólogo
A guerra durou apenas 12 dias. O que veio depois foi um silêncio ensurdecedor, um mundo mergulhado em poeira, escombros e radiação. A Terra, outrora vibrante e fértil, havia se transformado em um deserto de terra vermelha, onde nada crescia, e poucos sobreviviam. Os que restaram vagavam por um mundo devastado, lutando por água e abrigo, enquanto o céu permanecia encoberto por nuvens densas e tóxicas.
O solo era árido, quebradiço, e as cidades eram esqueletos de concreto, esvaziadas de vida. Quase tudo o que havia sido construído pelo homem foi destruído no conflito final. Agora, apenas os mais fortes, ou os mais cruéis, dominavam o que restou da civilização.
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Capítulo 1: O Deserto Sem Fim
O sol vermelho queimava o horizonte, pintando o céu com tons de laranja e cinza. Leila caminhava sozinha pela vasta extensão de terra estéril, suas botas levantando pequenas nuvens de poeira a cada passo. O calor escaldante fazia o ar tremular à sua frente, mas ela já estava acostumada a esse inferno. A vida, desde a guerra, era um ciclo constante de sofrimento e luta.
Leila tinha 19 anos e nunca conhecera o mundo como ele era antes. Nascida alguns anos após a guerra, ela crescera entre os escombros, ouvindo histórias de como a Terra era cheia de vida: rios cristalinos, florestas exuberantes e cidades luminosas. Mas para ela, tudo isso parecia um mito distante. Tudo que ela conhecia era a terra vermelha, a radiação que consumia lentamente os sobreviventes e a escassez constante de recursos.
Vivendo em uma pequena comunidade nômade, Leila tinha uma única missão: encontrar água. A água era o bem mais precioso que restava no mundo, e sua busca a levava cada vez mais longe de seu povo, em direção ao desconhecido.
Porém, naquele dia, algo incomum apareceu no horizonte: uma colina coberta por uma vegetação verdejante, um contraste chocante com o deserto árido ao seu redor. Leila parou, ofegante, sem acreditar no que seus olhos estavam vendo. Há anos, ela não via nada que não fosse poeira e ruínas.
— Isso é impossível... — sussurrou para si mesma, sem saber se estava delirando devido à radiação ou ao calor.
Determinada a descobrir a verdade, ela seguiu em direção à colina verde. A cada passo, o ar parecia menos tóxico, e a sensação de frescor tomava conta de seu corpo cansado. Quando finalmente chegou ao topo, Leila se deparou com uma visão que jamais imaginara ver.
No vale à sua frente, havia um oásis: árvores frutíferas, um pequeno lago de água cristalina e um brilho suave que emanava das pedras ao redor. Mas o mais impressionante era a ausência de radiação. O contador Geiger, sempre ativo em seu cinto, estava em silêncio.
— Como isso pode existir? — perguntou-se, incrédula.
Leila sabia que aquilo era mais do que uma descoberta comum. Aquele lugar poderia ser a chave para a sobrevivência da humanidade.
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Capítulo 2: O Segredo do Oásis
Leila passou dias no oásis, explorando cada canto. A água era pura, e a comida abundante. Pela primeira vez em anos, ela dormia sem medo, sem a sensação constante de que a morte estava à espreita. Contudo, uma inquietação tomava conta de sua mente. Como aquele lugar havia sobrevivido à destruição do mundo?
Após dias de exploração, Leila encontrou uma estrutura enterrada na encosta de uma montanha próxima, camuflada pela vegetação. Parecia ser uma instalação antiga, mas ainda intacta. Havia algo naquele lugar que fazia sua pele formigar, como se algo poderoso e desconhecido estivesse escondido ali.
Quando entrou na estrutura, encontrou um vasto laboratório subterrâneo. Monitores piscavam com luzes fracas, e antigos computadores estavam cobertos por uma fina camada de poeira. A tecnologia parecia avançada, muito além de qualquer coisa que ela já tivesse visto. Leila explorou mais fundo, até encontrar um arquivo contendo informações vitais.
Os dados revelavam que o oásis não era natural. Ele havia sido criado por uma tecnologia secreta desenvolvida antes da guerra, um projeto experimental para preservar áreas da Terra caso um desastre global ocorresse. O projeto, chamado de **Arca Verde**, era uma tentativa desesperada de cientistas e engenheiros de proteger pequenos bolsões de vida, usando uma combinação de biotecnologia e energia limpa para manter a radiação afastada.
Leila ficou chocada ao descobrir que havia outros oásis espalhados pelo mundo, mas a maioria havia falhado após a guerra. Esse, no entanto, sobrevivera. O arquivo também revelava algo ainda mais importante: o projeto incluía uma forma de limpar a atmosfera e restaurar o equilíbrio do planeta, mas o processo precisava ser iniciado manualmente de uma instalação central, localizada em um ponto distante, no coração de uma cidade devastada, onde a guerra havia começado.
Leila sabia que essa descoberta mudava tudo. Se ela pudesse reativar o sistema, poderia salvar o que restava da humanidade.
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Capítulo 3: A Jornada Perigosa
Leila voltou à sua comunidade, carregando consigo a esperança de um novo começo. Mas quando contou sua descoberta aos líderes do grupo, encontrou ceticismo e medo.
— E se for uma armadilha? — questionou um dos anciãos. — Como podemos confiar em algo feito pelos mesmos que destruíram o mundo?
— É nossa única chance — retrucou Leila. — O mundo está morrendo. Nós estamos morrendo. Se houver uma maneira de restaurar o planeta, não podemos ignorá-la.
Alguns membros da comunidade estavam dispostos a seguir Leila, mas outros preferiam permanecer no que conheciam, temendo que qualquer tentativa de mudança resultasse em desastre. No entanto, um grupo pequeno e determinado decidiu acompanhá-la na perigosa jornada para encontrar a instalação central.
A viagem era cheia de perigos. A terra vermelha estava infestada de bandos de saqueadores, grupos de sobreviventes violentos que atacavam qualquer um que encontrassem. Além disso, o aumento da radiação tornava certas áreas intransitáveis. No entanto, a pequena equipe liderada por Leila avançava, guiada pela esperança de que poderiam mudar o destino do mundo.
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Capítulo 4: A Cidade Fantasma
Depois de semanas de viagem, Leila e seu grupo chegaram à cidade que abrigava a instalação central do **Arca Verde**. Era um lugar fantasmagórico, cheio de ruínas e restos da antiga civilização. Arranha-céus desmoronados, veículos abandonados e estradas quebradas formavam um labirinto perigoso. Mas o que mais chamava a atenção era a intensa radiação que emanava do centro da cidade, tornando a aproximação ainda mais arriscada.
Com trajes improvisados e medidores de radiação, eles seguiram em direção ao coração da cidade, onde a instalação estava escondida nas profundezas de um antigo centro de pesquisa militar. Ao se aproximarem, descobriram que não estavam sozinhos. Um grupo de sobreviventes, bem armados e organizados, havia tomado o controle da área.
Esses sobreviventes, liderados por um homem chamado Victor, sabiam da existência da instalação e planejavam usá-la para seus próprios fins: controlar os poucos recursos restantes do planeta e estabelecer uma nova ordem, onde apenas os mais fortes sobreviveriam.
Leila e seu grupo foram capturados, mas ela conseguiu convencer Victor de que o verdadeiro poder da instalação não era apenas manter o oásis funcionando, mas restaurar o planeta inteiro. Mesmo com suas intenções egoístas, Victor percebeu que controlar tal poder o tornaria o líder de um novo mundo.
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Capítulo 5: A Escolha Final
Dentro da instalação, Leila e Victor estavam diante do painel de controle. Tudo estava preparado para iniciar o processo de purificação da atmosfera e regeneração do planeta, mas havia um preço. O sistema demandava uma imensa quantidade de energia, drenando toda a capacidade dos oásis restantes. Isso significava que o oásis de Leila — e qualquer outro que tivesse sobrevivido — deixaria de existir.
— Se fizermos isso, os oásis morrem — disse Victor, olhando para Leila. — Mas se não fizermos, o mundo continua assim para sempre. O que você vai escolher?
Leila sentiu o peso da decisão. O oásis era um refúgio seguro, o único lugar onde ela havia se sentido em paz. Mas não era suficiente. O mundo precisava de mais do que um pedaço de paraíso isolado; precisava de uma chance de renascer.
Com um suspiro profundo, ela ativou o sistema.
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Epílogo
Meses depois, as nuvens começaram a se dissipar, revelando um céu azul que há muito não era visto. A Terra, embora ainda marcada pela devastação, começava a se curar. Plantas brotavam lentamente do solo vermelho, e as chuvas que antes eram ácidas agora traziam vida.
Leila, agora sozinha, observava o horizonte, sabendo que havia sacrificado muito, mas que a escolha certa havia sido feita. A humanidade, embora diminuída e fragmentada, tinha uma nova chance de reconstruir o que foi perdido.
E, pela primeira vez em muito tempo, havia esperança.
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