O Último Voo
O Último Voo
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Prólogo: Céus de Chamas - 1944
As hélices do C-47 rodavam furiosamente, cortando os céus escuros da França ocupada. O estrondo dos motores abafava o som da chuva fina que batia contra a fuselagem, enquanto a piloto americana, **Amelia "Amy" Carter**, mantinha os olhos fixos no painel, tentando controlar o avião que lutava contra as rajadas de vento.
— "Segurem-se!" — Amy gritou para a tripulação na parte de trás. Ela podia ver os clarões de explosões no horizonte, o fogo da artilharia antiaérea alemã iluminando o céu como raios, e sabia que estavam entrando em território perigoso. — "Estamos quase lá."
A missão de transporte era simples: levar suprimentos para uma unidade da resistência francesa nas montanhas. Mas nada era simples na guerra. Cada voo era uma aposta com a morte.
Amy sentiu o avião tremer, os controles vibrando nas suas mãos. De repente, um som agudo rasgou o ar. **Uma explosão** violenta atingiu uma das asas. O avião balançou descontroladamente, perdendo altura rapidamente.
O coração de Amy acelerou, mas sua mente estava focada. Ela era uma das poucas mulheres pilotos em serviço, lutando para provar que merecia estar ali. E, naquele momento, sua única prioridade era salvar a tripulação.
— "Preparem-se para o impacto!" — ela gritou pelo rádio, enquanto puxava os controles, tentando nivelar a aeronave.
O C-47 desceu em espiral, o som ensurdecedor dos motores sendo engolido pela escuridão da noite.
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Capítulo 1: Destinos Cruzados
Londres, Inglaterra – Verão de 1942
Antes de os céus serem seu campo de batalha, Amy Carter era apenas uma jovem de espírito livre em **Nova York**, sonhando com os aviões que via sobrevoar o rio Hudson. Crescida em uma família conservadora, seus pais esperavam que ela seguisse o caminho tradicional de uma mulher na época: casamento, filhos, uma vida tranquila. Mas Amy sempre foi diferente. Quando o Japão atacou Pearl Harbor, em 1941, algo dentro dela mudou. O chamado à ação era forte demais para ser ignorado.
Após meses de treinamento rigoroso, Amy se destacou como uma piloto competente e foi recrutada pelo **Women Airforce Service Pilots** (WASP), um programa revolucionário que permitia mulheres voarem em missões de transporte e apoio na guerra. Mesmo com a resistência de muitos colegas homens, ela sabia que seu lugar era nos céus, e nada a impediria de fazer sua parte.
Londres, por outro lado, estava destruída, mas ainda viva. A cidade tentava continuar, mesmo com os bombardeios da Luftwaffe. Em meio ao caos, o soldado britânico **William "Will" Harding** retornava de uma missão arriscada na África do Norte. Como parte da unidade especial de operações secretas, Will estava acostumado a viver nas sombras, infiltrando-se atrás das linhas inimigas, sabotando alvos nazistas e coletando informações cruciais.
Naquele verão de 1942, o destino de Amy e Will se cruzaria de forma inesperada.
Amy foi designada para transportar oficiais britânicos e americanos de Londres para diversos fronts de batalha. No meio de uma dessas missões, Will foi escalado como passageiro em um voo de transporte militar rumo à Normandia. Ele estava exausto após meses de combate ininterrupto, e a última coisa que esperava era se encantar por uma piloto americana.
No primeiro encontro, enquanto Amy realizava as verificações finais do avião, Will entrou no cockpit, curioso sobre quem pilotaria. Ele ficou surpreso ao ver uma mulher, algo raro naquela época.
— "Você é a piloto?" — perguntou com uma sobrancelha arqueada.
Amy, sem levantar os olhos do painel, respondeu calmamente:
— "Parece que sim. Algum problema com isso?"
Will sorriu de leve, reconhecendo a firmeza na voz dela.
— "De forma alguma. Só espero que você nos leve inteiros até o destino."
Amy finalmente olhou para ele, os olhos azuis brilhando com determinação.
— "Então é melhor apertar o cinto."
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Capítulo 2: Amor em Meio ao Caos
Durante o voo, Will e Amy começaram a conversar. No começo, eram apenas trocas ocasionais de palavras sobre a guerra, mas, logo, o clima ficou mais pessoal. Will estava acostumado a ver o pior lado do conflito — as baixas, as traições, o lado sombrio da humanidade. Para Amy, voar era um símbolo de liberdade, um pequeno lembrete de que, mesmo em meio à guerra, ainda existiam coisas maiores do que o conflito.
Quando aterrissaram com sucesso na Normandia, Will, sem perceber, já estava fascinado pela coragem e confiança de Amy. Eles se despediram com uma cordialidade profissional, mas algo havia mudado.
Nos meses seguintes, suas rotas se cruzaram de novo e de novo. Um café em Londres aqui, uma conversa rápida em uma pista de pouso ali. Cada encontro os aproximava mais, e logo a tensão da guerra não era suficiente para segurar o que sentiam. O romance floresceu, como uma faísca improvável no meio de uma tempestade.
Amy sabia dos perigos, especialmente com Will participando de missões de alto risco por trás das linhas inimigas. Ela temia cada vez mais que ele não voltasse de uma de suas operações. Para Will, era igualmente angustiante ver Amy voar em missões que se tornavam cada vez mais arriscadas à medida que a guerra se intensificava.
Mas ambos sabiam que não havia escolha. A guerra não permitia garantias.
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Capítulo 3: O Último Voo
Em 1944, tudo mudou.
Com a invasão da Normandia prestes a acontecer, as forças aliadas intensificaram suas operações. Will foi designado para uma missão perigosa: infiltrar-se em território francês ocupado e destruir uma instalação crucial de comunicações alemã. Ele sabia que as chances de sucesso eram mínimas, e que talvez nunca mais visse Amy.
Na noite anterior à missão, eles se encontraram em uma pequena taverna em Londres. A chuva caía lá fora, e as sirenes de ataque aéreo ecoavam ao longe. Eles se abraçaram, sabendo que aquela poderia ser a última vez.
— "Volte para mim", sussurrou Amy, segurando o rosto de Will entre as mãos.
— "Eu voltarei", prometeu ele, embora soubesse que não podia fazer tal promessa.
Dias depois, durante uma missão de transporte, Amy foi informada de que o avião de Will havia desaparecido em território inimigo. Desesperada, ela se ofereceu para participar de uma operação de resgate, desafiando ordens diretas. A guerra podia tirar tudo dela, mas ela não permitiria que levasse o homem que amava.
Voando em uma última e arriscada missão, Amy sobrevoou as montanhas da França ocupada. A guerra rugia abaixo, mas tudo que ela podia pensar era em encontrar Will.
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Epílogo: Sobreviventes do Vento
Na primavera de 1945, após a queda do regime nazista, Amy e Will se reencontraram em uma Paris recém-libertada. Ambos sobreviventes de uma guerra que quase os destruiu, mas mais fortes do que nunca. Em meio às ruínas da cidade, eles perceberam que o que realmente importava não era a guerra que haviam lutado, mas o amor que os manteve vivos.
O último voo de Amy havia sido não apenas uma missão de resgate, mas também uma promessa de que, em meio ao caos, o amor pode vencer.
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