O Último Grito - Uma História de Terror
O Último Grito - Uma História de Terror
Capítulo 1 - O Começo do Fim
Era uma vila pequena e pacata, perdida entre montanhas cobertas por neblina e florestas densas. As manhãs eram frias, as noites silenciosas, e a vida ali seguia um ritmo simples, quase imutável. Porém, tudo mudou em uma madrugada de outono, quando o primeiro corpo foi encontrado.
A senhora Beatriz, uma das moradoras mais antigas da vila, era conhecida por seu bom humor e disposição. No entanto, na manhã de sua morte, foi achada inerte em sua cama, com os olhos arregalados e uma expressão de puro terror estampada em seu rosto enrugado. Seus lábios estavam entreabertos, como se houvesse tentado gritar. Nenhuma marca de violência, nenhum sinal de luta. Apenas aquele rosto congelado no que parecia ser o medo mais profundo que alguém poderia sentir.
O vilarejo inteiro ficou em choque. Nunca haviam presenciado algo assim. O médico local, o doutor Horácio, foi chamado para examinar o corpo. Ele não encontrou uma causa clara de morte, apenas uma coisa era evidente: Beatriz morrera de medo.
Capítulo 2 - O Segundo Grito
Nas semanas seguintes, o vilarejo tentava seguir em frente, atribuindo a morte de Beatriz à idade avançada e talvez a algum pesadelo que tivera naquela noite fatídica. Mas, então, uma segunda morte ocorreu.
Miguel, o jovem padeiro da vila, foi encontrado morto de maneira semelhante. Sua mãe, ao entrar em seu quarto para acordá-lo, deu um grito que ecoou pelas ruas tranquilas. Ele estava deitado na cama, com o mesmo olhar de pavor estampado no rosto. A expressão era tão horrenda que muitos se recusaram a olhar diretamente para ele. Assim como Beatriz, Miguel parecia ter sido apanhado por um medo avassalador em seus últimos momentos. Sua boca estava aberta, como se estivesse prestes a soltar um grito que nunca foi ouvido.
Os murmúrios começaram a se espalhar pela vila. Alguns falavam de uma doença misteriosa, outros mencionavam espíritos ou maldições antigas. As velhas lendas da região, que falavam de entidades que espreitavam nos sonhos, começaram a ressurgir nas conversas ao redor das lareiras.
Capítulo 3 - Pesadelos Coletivos
Enquanto os dias passavam, um padrão assustador começava a se formar. As mortes não paravam. A cada poucas noites, um novo corpo era encontrado. Sempre o mesmo terror estampado no rosto, sempre o mesmo grito silencioso preso na garganta. A vila, antes calma, foi tomada por um pânico crescente. As pessoas começaram a temer a chegada da noite.
As vítimas, aparentemente, não compartilhavam nenhum vínculo direto, exceto uma coisa: todas haviam mencionado sonhos perturbadores antes de morrer. Sonhos que começavam de forma tranquila, mas rapidamente se tornavam pesadelos, dominados por uma presença sombria, sem forma definida, mas opressora, sufocante.
Esses sonhos compartilhavam um detalhe que amedrontava até os mais céticos: em cada pesadelo, a vítima sentia uma paralisia completa, uma incapacidade de escapar ou acordar. E, no momento em que tentavam gritar, a sombra parecia tomar conta de tudo.
Os mais religiosos começaram a buscar respostas na fé. Crucifixos surgiram nas portas das casas, velas foram acesas em orações incessantes, mas nada parecia afastar a sombra. Ao contrário, ela se fortalecia.
Capítulo 4 - O Investigador
Diante do terror que se alastrava, a vila decidiu buscar ajuda externa. Um investigador de casos sobrenaturais foi chamado. Seu nome era Vicente, um homem de meia-idade com uma expressão séria e olhos que pareciam carregar o peso de anos de experiência em lidar com o inexplicável. Ele já havia ouvido falar de eventos semelhantes, em vilarejos distantes, mas nunca presenciara nada com tal intensidade.
Vicente começou sua investigação entrevistando os sobreviventes – aqueles que ainda não haviam sido tocados pelo pesadelo. Ele descobriu que as mortes não eram aleatórias. Havia um padrão escondido nas lendas locais, algo que remontava a gerações passadas. Havia, segundo os mais velhos, uma entidade que habitava entre os sonhos e a realidade, uma criatura antiga que se alimentava do medo mais profundo das pessoas.
Era conhecida por muitos nomes, mas na vila, falavam dela como "A Sombra dos Gritos". Ela não aparecia em forma física, mas invadia os sonhos, consumindo suas vítimas a partir do medo, até que seus corações paravam no momento do desespero absoluto.
Capítulo 5 - A Revelação
Vicente então descobriu algo ainda mais terrível. A entidade não tinha surgido por acaso. Ela fora invocada. Décadas atrás, durante uma praga que assolou a região, alguns dos anciãos da vila, desesperados por proteção, realizaram um ritual sombrio para afastar a morte. Em troca, porém, um pacto foi selado: a entidade protegeria a vila da praga, mas, em algum momento no futuro, ela voltaria para cobrar um tributo. E esse tributo seria pago com o medo e as almas dos descendentes daqueles que realizaram o pacto.
O ciclo de mortes era a cobrança desse pacto maligno.
Capítulo 6 - O Confronto Final
Sabendo que as mortes não parariam até que a entidade fosse detida, Vicente buscou uma maneira de reverter o ritual. Ele encontrou, nos escritos de um velho padre que havia morrido há anos, um contraponto para a invocação: um segundo ritual, que selaria a entidade novamente.
No entanto, havia um preço. Para realizá-lo, alguém teria que se sacrificar, entregando seu corpo e mente ao domínio da Sombra, aprisionando-a em um limbo entre o mundo dos sonhos e a realidade. Vicente, determinado a salvar a vila, decidiu que ele próprio seria esse sacrifício.
Na noite do confronto, a vila inteira se reuniu na antiga igreja, o único lugar que parecia oferecer algum tipo de proteção contra a criatura. Vicente, com os preparativos feitos, entrou em um estado de transe profundo, permitindo que a Sombra se manifestasse. O ar na igreja ficou denso, as velas tremeluziram, e uma presença opressora encheu o ambiente.
Capítulo 7 - O Último Grito
No momento final do ritual, a Sombra tentou tomar Vicente por completo. Ele sentiu o medo o envolver, a mesma paralisia que tantas vítimas haviam experimentado. Seu corpo estava rígido, sua mente à beira de se render ao pavor. Mas, em um último ato de resistência, Vicente soltou o grito que ninguém antes havia conseguido dar.
Seu grito ecoou pela igreja, um som profundo e carregado de angústia, mas também de desafio. A Sombra hesitou, e naquele instante de fraqueza, o ritual foi completado. Com um estrondo, a entidade foi sugada para fora da realidade, selada mais uma vez em um lugar onde não poderia mais alcançar as mentes dos vivos.
Vicente, exausto e à beira da morte, sorriu antes de seu coração parar. Ele havia vencido. A vila estava salva.
Epílogo
A vida na vila lentamente voltou ao normal, mas as cicatrizes daquele período sombrio nunca desapareceram por completo. O nome de Vicente foi gravado em uma placa de pedra na igreja, e seus sacrifícios foram lembrados por gerações.
Ainda assim, alguns, nas noites mais silenciosas, diziam ouvir, ao longe, um último grito ecoando nas montanhas.
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