As Crônicas do Reino Perdido
As Crônicas do Reino Perdido
Capítulo 1 – O Despertar das Profundezas
Nas profundezas insondáveis do oceano, muito além do alcance da luz solar, dormia o lendário **Reino de Azura**, um império esquecido pelo tempo. Milênios atrás, seus habitantes eram considerados divinos pela humanidade. Seus palácios de coral cintilavam com a luz das estrelas que, de alguma forma, brilhavam nas águas mais escuras. As criaturas marinhas mais exóticas serviam ao poderoso rei, e a magia do oceano fluía como um rio eterno, nutrindo o poder da cidade.
No entanto, o que restou dessa era de ouro foi tragado pelo esquecimento. Uma maldição selou o reino de Azura nas profundezas, isolando-o do resto do mundo. Seu cruel e imortal governante, o Rei **Xal'thul**, um ser cujas veias pulsavam com magia antiga, ficou preso com seus súditos, aguardando o momento de despertar e retomar seu império – não apenas nas águas, mas sobre toda a superfície da terra.
Agora, depois de milênios, uma série de terremotos submarinos rompeu os selos místicos que mantinham Azura adormecida. Sob o comando do Rei Xal'thul, os tronos vazios da terra seriam preenchidos, e o reino esquecido do oceano iria ascender novamente para dominar o mundo da superfície.
Capítulo 2 – O Rei Imortal
Xal'thul, o governante de Azura, era temido até mesmo pelos deuses antigos. Sua aparência era majestosa e terrível. Pele esverdeada, olhos brilhantes como pérolas negras, e cabelo que se movia como algas na corrente. Seu corpo, embora de aspecto humanoide, parecia fundido com as criaturas marinhas que ele controlava. Braços alongados, adornados por escamas e garras afiadas, sugeriam que sua forma havia evoluído além da mortalidade, assumindo a própria essência do oceano.
Mas era sua mente que era verdadeiramente perigosa. Durante os milênios de seu aprisionamento, Xal'thul cultivou uma fúria inextinguível contra os seres da superfície. Ele se lembrava da traição que condenara seu reino ao esquecimento – uma guerra perdida entre os povos do mar e da terra. E agora, enquanto Azura acordava, ele estava mais poderoso do que nunca, pronto para vingar-se.
Xal'thul sabia que a magia dos tempos antigos, a magia que sustentava o reino e o tornava imbatível, ainda corria pelas veias das águas profundas. Seus magos, os **Guardas das Marés**, também despertavam, prontos para ajudá-lo em sua campanha contra o mundo da superfície. Eles conheciam segredos de feitiçaria há muito esquecidos pela humanidade, capazes de manipular os oceanos e as marés a seu favor.
Capítulo 3 – A Ascensão da Cidade Perdida
No reino da superfície, ninguém suspeitava do que se erguia nas profundezas. Os pescadores das aldeias costeiras começaram a notar o comportamento estranho dos mares. Tempestades surgiam do nada, ondas colossais varriam portos inteiros, e estranhas criaturas eram vistas sob as águas agitadas – seres grotescos, que pareciam meio humanos, meio peixe, com olhos brilhantes que exalavam uma fome insaciável.
Essas criaturas eram as **Feras Abissais**, soldados do exército de Xal'thul. Eles patrulhavam os oceanos em preparação para o ataque, fazendo prisioneiros de barcos que se atreviam a atravessar seus domínios. Nenhuma embarcação era segura. O medo começou a se espalhar entre os marinheiros, que falavam de uma cidade dourada emergindo do fundo do mar.
Entre as lendas dos povos da superfície, havia uma profecia esquecida, passada de geração em geração entre algumas tribos costeiras. Falava-se de um "Reino Perdido" que um dia emergiria novamente para conquistar os homens. Poucos acreditavam nessas histórias, até que começaram a aparecer sinais – antigos escritos que surgiram nas praias, runas misteriosas inscritas nas pedras trazidas pelas ondas. Alguns estudiosos e magos começaram a notar os padrões e rastros de magia nas águas, mas a ameaça de Azura ainda não era totalmente compreendida.
Na capital do grande reino da superfície, **Lúmaria**, o rei humano **Orryn IV** recebeu relatos alarmantes. Navios desapareciam sem deixar rastros, tempestades que desafiavam a lógica se formavam no mar, e estranhas marés atingiam as costas. Desesperado, Orryn convocou os sábios do reino para entender o que estava acontecendo.
Entre esses sábios, destacava-se uma jovem feiticeira chamada **Elara**, cujo conhecimento das artes antigas a diferenciava. Ela foi uma das primeiras a perceber a conexão entre os fenômenos e a lenda de Azura. Suas investigações levaram-na a concluir que a cidade submersa, agora desperta, era o epicentro das perturbações. Mas o que mais a aterrorizava era o retorno de Xal'thul, um ser cuja existência só era conhecida nas fábulas mais sombrias.
Capítulo 4 – A Aliança da Superfície
Elara, determinada a enfrentar a ameaça, partiu em uma jornada para reunir aliados. Ela sabia que a força do reino humano sozinho não seria suficiente para enfrentar o poder de Xal'thul. Ela viajou para o oeste, em busca dos **Elfos das Florestas Nebulosas**, uma raça antiga que também possuía laços profundos com a magia primordial.
Os elfos, liderados pelo sábio rei **Thalion**, hesitaram em se envolver, pois há muito haviam se isolado dos assuntos dos humanos. No entanto, quando Elara mostrou as runas e os sinais mágicos que encontrara nas praias, Thalion reconheceu os antigos símbolos do oceano – um poder com o qual os elfos já haviam travado batalhas no passado.
"Se Xal'thul realmente retornou, então não apenas os humanos estão em perigo. Todo o mundo está," disse Thalion, concordando em enviar seu exército para apoiar Lúmaria.
Enquanto isso, no leste, nas montanhas áridas, **os anões de Drak'Tor** também se preparavam para a guerra. Seus espiões marinhos relataram o movimento das Feras Abissais, e embora os anões odiassem se envolver em conflitos externos, eles sabiam que a destruição do reino humano significaria o fim de sua própria existência.
Com as alianças firmadas, um conselho de guerra foi realizado em Lúmaria, onde Elara, o rei Orryn, Thalion e os líderes anões discutiram estratégias. Mas mesmo com seus exércitos combinados, havia uma questão crucial: como enfrentar Xal'thul, cuja imortalidade e domínio sobre o mar o tornavam praticamente invencível?
Capítulo 5 – A Batalha dos Mares
Nas profundezas, Xal'thul estava ciente da preparação dos humanos. Ele não subestimava seus inimigos, mas também não os temia. Ele convocou seus **Senhores das Marés**, poderosos magos que controlavam as correntes oceânicas, e iniciou seu ataque. Enquanto Azura começava a emergir das profundezas, colunas de água subiam para o céu, e com elas, o exército do rei imortal marchava.
A batalha começou no mar, onde o exército combinado de Lúmaria e seus aliados enfrentou as hordas de criaturas abissais. As forças da superfície lutavam bravamente, mas as ondas estavam contra eles. Xal'thul, observando de seu trono submerso, manipulava as correntes e os ventos com facilidade.
Elara, sabendo que Xal'thul jamais poderia ser derrotado em seu elemento, buscou uma forma de selá-lo novamente. Com a ajuda dos elfos e dos anões, ela descobriu um antigo artefato – o **Cetro das Marés**, um objeto lendário que, segundo as lendas, poderia controlar os oceanos e selar a magia de Azura.
Enquanto a batalha rugia ao redor, Elara, Thalion e uma pequena equipe infiltraram-se nas profundezas do mar, onde encontraram a cidadela de Xal'thul. Ele os esperava, arrogante e confiante em sua vitória iminente. Mas Elara, com o Cetro em mãos, usou o poder combinado dos elfos e anões para confrontar o rei imortal.
No confronto final, Xal'thul, surpreendido pela força de Elara e seus aliados, foi subjugado, mas não destruído. Com o poder do Cetro, Elara conseguiu selá-lo novamente nas profundezas, condenando-o a outro milênio de sono. Azura, uma vez mais, afundou nas sombras do oceano.
Epílogo – O Legado de Azura
A vitória foi celebrada, mas não sem perdas. O mar, agora calmo, carregava as cicatrizes da guerra, e as costas de Lúmaria eram um lembrete das forças indomáveis que existiam nas profundezas. Elara, honrada como a heroína da superfície, sabia que a ameaça
de Azura nunca desapareceria completamente.
Enquanto o Cetro das Marés estava seguro nas mãos dos elfos, a lenda do Reino Perdido continuava a sussurrar através das ondas. Um dia, o mar poderia despertar novamente.
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