A Lenda do Dragão de Gelo
A Lenda do Dragão de Gelo
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Prólogo: O Reino Congelado
Há muitos séculos, o **Reino de Norrvindr** era uma terra próspera, abençoada por verões longos e invernos curtos. Mas tudo mudou quando o lendário **Dragão de Gelo**, uma criatura colossal e antiga, despertou de seu sono nas profundezas da **Montanha Eterna**. Com seu rugido, ele trouxe um inverno eterno, cobrindo vales, montanhas e aldeias com neve e gelo perpétuos. O frio sufocante tornava impossível plantar, caçar ou até mesmo sobreviver.
As aldeias ao redor da montanha começaram a minguar, e o povo se refugiava cada vez mais em lendas e histórias sobre como derrotar o Dragão. Diziam que ele fora uma vez um guardião benevolente, mas que, traído pelos homens, se tornou a personificação da fúria do inverno. Somente o mais corajoso poderia encarar a fera e salvar o reino do frio sem fim.
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Capítulo 1: O Chamado do Destino
No vilarejo de **Frostheim**, cercado por florestas cobertas de neve, vivia um jovem chamado **Eirik**. Desde pequeno, Eirik ouvia as histórias sobre o Dragão de Gelo. Os anciãos sussurravam contos de heróis que haviam partido para enfrentá-lo, mas nenhum jamais retornara. Ele cresceu ouvindo que o monstro era invencível, e que tentar desafiá-lo era buscar a própria destruição.
Eirik não era um guerreiro. Ele era um **caçador**, habilidoso com o arco e conhecedor das trilhas nas florestas geladas ao redor de sua aldeia. No entanto, o constante inverno cobrava um preço alto. Com cada ano que passava, a caça ficava mais escassa, e as aldeias começavam a perder a esperança.
Até que, em uma noite de tempestade, quando as ventanias rugiam como se fossem gritos de fúria, um estranho chegou ao vilarejo. Um velho encapuzado, de aparência frágil, mas com olhos brilhantes como estrelas. Ele trouxe uma profecia, anunciando que o inverno eterno acabaria apenas quando um verdadeiro herói enfrentasse o Dragão e levasse consigo o **Coração do Inverno**, uma joia lendária escondida no covil da fera.
— "Aquele que possuir o Coração controlará o inverno," disse o velho, antes de desaparecer tão misteriosamente quanto chegara.
A aldeia, desesperada, pediu a Eirik, o mais jovem e ágil dos caçadores, para tentar a jornada. Eles não podiam mais esperar. Ele hesitou, sabendo do perigo, mas sua família e amigos dependiam disso. A fome já começava a ameaçar todos.
Naquela noite, Eirik tomou sua decisão. Armado com seu arco, algumas provisões e a bênção de um amuleto ancestral que sua avó lhe dera, ele partiu em direção à **Montanha Eterna**, determinado a salvar seu povo.
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Capítulo 2: As Provações da Montanha
A jornada até a Montanha Eterna era árdua. Eirik enfrentava tempestades constantes, o frio queimante, e o cansaço que ameaçava vencê-lo a cada passo. No entanto, algo o guiava. Era como se as histórias e as canções dos antigos heróis, que ele ouvira toda sua vida, lhe dessem forças.
No caminho, ele encontrou criaturas místicas. **Lobos de gelo**, com olhos brilhantes como safiras, o cercaram em um vale. **Sereias da neve**, belas e traiçoeiras, tentaram seduzi-lo a abandonar sua jornada. Mas Eirik se lembrou do conselho do velho: “Confie em seu coração puro, pois as armadilhas são muitas, mas a verdade é uma só.”
Após dias de caminhada solitária, ele chegou aos pés da Montanha Eterna, que se erguia majestosa e ameaçadora, como uma coroa de gelo no horizonte. As lendas diziam que nenhum homem havia escalado aquela montanha e vivido para contar. O ar era rarefeito e o frio intenso, mas Eirik sabia que não podia parar agora.
À medida que subia, encontrou um aliado inesperado: um **grifo alado**, ferido por uma armadilha deixada por caçadores antigos. Eirik, com seu conhecimento de ervas e curas, cuidou da criatura, que, em gratidão, o ajudou a voar até os penhascos mais altos, onde ficava a entrada do covil do Dragão.
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Capítulo 3: O Covil do Dragão
Dentro da montanha, tudo era silêncio. A única luz vinha das paredes de gelo que brilhavam em tons azulados, como se guardassem a própria essência do inverno. Eirik caminhou cautelosamente, sentindo o peso da lenda sobre seus ombros.
No coração da montanha, ele encontrou o covil. Era uma caverna gigantesca, com estalagmites e estalactites de gelo que pareciam lâminas prontas para cair a qualquer momento. No centro, sobre um trono de cristal, repousava o **Dragão de Gelo**. Seu corpo gigantesco era feito de puro gelo, com escamas que refletiam a luz como diamantes, e seus olhos, embora fechados, pareciam vigiar cada movimento de Eirik.
No peito do dragão, cravado em suas escamas, brilhava o **Coração do Inverno**. Uma joia cintilante, pulsando com uma energia fria e assustadora. Eirik soube naquele momento que esta era a chave para salvar sua aldeia. Mas como tomá-la sem despertar o dragão?
Ao tentar retirar a joia, o inevitável aconteceu. O dragão abriu seus olhos, brilhando como dois sóis azuis. Com um rugido que fez toda a montanha tremer, a criatura se ergueu, lançando ventos e gelo ao redor.
— "Quem ousa despertar meu sono?" — sua voz era profunda e ecoava pelas paredes de gelo.
Eirik, tremendo, respondeu com coragem:
— "Meu povo está morrendo. Eu vim buscar o Coração do Inverno para trazer de volta as estações."
O dragão olhou para ele por um longo momento. Então, com um tom de amargura, respondeu:
— "Os homens já me traíram antes. Prometeram me honrar, mas trouxeram apenas guerra e destruição. Por que deveria confiar em você?"
Eirik, sentindo o peso da verdade nas palavras da fera, abaixou o arco e olhou nos olhos do dragão.
— "Eu não sou como os homens que o traíram. Não busco poder, apenas a chance de dar uma nova vida ao meu povo."
O dragão, percebendo a sinceridade em Eirik, hesitou. Ele sabia que o jovem não carregava as mesmas intenções que aqueles que o haviam aprisionado no inverno eterno. Com um último rugido, o dragão fez uma oferta:
— "Se você deseja o Coração do Inverno, deve estar disposto a sacrificar algo em troca. A vida não pode ser restaurada sem que algo seja entregue."
Eirik, sabendo que essa era sua única chance, aceitou o desafio sem hesitar.
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Capítulo 4: O Sacrifício e o Renascimento
Com o consentimento do dragão, Eirik pegou o Coração do Inverno. Ao fazê-lo, sentiu uma onda de frio percorrer seu corpo, mas também uma estranha sensação de paz. Ele soube, naquele momento, que a joia não era apenas uma fonte de poder, mas o equilíbrio entre a vida e a morte, o frio e o calor.
O dragão, com um último suspiro, dissolveu-se em neve, sua fúria finalmente apaziguada. O inverno eterno começou a recuar, e as primeiras estrelas do amanhecer brilharam no céu pela primeira vez em décadas.
Eirik retornou à aldeia como um herói. As terras começaram a descongelar, e a vida voltou a florescer. Mas o jovem caçador nunca se gabou de sua conquista. Ele sabia que o verdadeiro herói era o dragão, cujo sacrifício permitiu que o ciclo natural das estações fosse restaurado.
E assim, a lenda do **Dragão de Gelo** e do jovem aventureiro que o enfrentou foi contada por gerações, como uma lembrança de que o verdadeiro poder não está na força, mas no sacrifício e na honra.
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Epílogo: O Guardião do Inverno
Anos depois, quando os ventos do inverno voltavam a soprar, a aldeia ainda ouvia os ecos distantes de um rugido nos ventos das montanhas. Diziam que Eirik, agora guardião do Coração do Inverno, protegia o equilíbrio entre as estações, mantendo o legado do Dragão vivo para sempre.
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