A Beleza que Não Envelhece
"A Beleza que Não Envelhece"
Capítulo 1: O Brilho no Horizonte
Em um futuro distante, onde as cidades se erguem em torres de cristal que tocam as nuvens e os carros flutuam pelo céu como folhas ao vento, a moda tornou-se uma das maiores forças motrizes da sociedade. Modelos não eram apenas ícones de estilo, mas figuras de poder, quase deidades, cujas imagens controlavam as aspirações de bilhões. Entre essas divindades modernas, nenhuma era tão adorada quanto Lúcia, conhecida no mundo todo como a "Eterna".
Lúcia começou sua carreira como uma simples garota de uma pequena cidade costeira. Sua beleza era inegável, mas foi algo mais que a destacou. Talvez fosse o brilho misterioso em seus olhos ou o jeito suave como sua voz acariciava os ouvidos de quem a escutava. Seu sucesso veio rápido, mas ao contrário de tantas outras que passaram pela fama como cometas, Lúcia parecia destinada a nunca desaparecer.
Capítulo 2: O Contrato de Cristal
Por décadas, Lúcia permaneceu no topo, sem mostrar sinais de envelhecimento. Sua pele era tão perfeita quanto no primeiro dia em que pisou na passarela, seus olhos tão vivos quanto o mar ao amanhecer. As pessoas se perguntavam qual era seu segredo. Alguns diziam que ela havia feito um pacto com forças além da compreensão humana. Outros acreditavam que ela possuía a tecnologia mais avançada do mundo, um tipo de cirurgia genética que ainda não estava disponível ao público.
Mas a verdade era mais sombria do que qualquer um poderia imaginar. Em uma noite fria, há muitos anos, Lúcia havia recebido uma proposta de um homem de negócios misterioso. Ele era conhecido apenas como "O Patrono". Com uma voz suave, ele lhe ofereceu um contrato, esculpido em cristal, que garantiria sua juventude e beleza eterna. Em troca, Lúcia deveria dedicar sua vida a inspirar e controlar as massas com sua imagem, tornando-se uma peça-chave na manipulação da sociedade.
Ela assinou sem hesitar. Naquele momento, sua vida mudou para sempre. Ela não envelheceria, mas pagaria um preço alto por isso.
Capítulo 3: A Maldição da Imortalidade
Décadas passaram, e enquanto o mundo mudava ao seu redor, Lúcia permanecia a mesma. Seus colegas, amigos e até mesmo seus amores envelheceram e morreram, mas ela ficou. A cada novo desfile, ela sentia o peso de sua escolha. Não era só a perda de quem amava que a atormentava, mas o vazio crescente em seu coração. Ela não tinha mais desafios, mais ambições. Ela era perfeita, mas estava aprisionada em sua própria perfeição.
O contrato, que no início parecia uma bênção, agora revelava sua verdadeira natureza: era uma maldição. As promessas de glória eterna vinham com o custo da solidão eterna. E para piorar, Lúcia descobriu que sua influência sobre as massas não era tão benigna quanto parecia. Através dela, o Patrono manipulava as tendências, levando a sociedade para uma direção sombria, onde a superficialidade e a vaidade prevaleciam sobre a humanidade e a empatia.
Capítulo 4: A Revolta do Coração
Ocorreu então algo inesperado. Um jovem estilista, chamado Rafael, começou a ganhar notoriedade com suas criações que contrastavam com tudo o que Lúcia representava. Ele pregava uma moda que valorizava a imperfeição, a humanidade, e a beleza da diversidade. Suas roupas eram mais do que peças de vestuário; eram manifestações de uma filosofia de vida que clamava por mudança.
Lúcia, ao conhecer Rafael, sentiu algo que há muito tempo não sentia: esperança. Rafael a fez lembrar de quem ela era antes de assinar aquele contrato. Ele não a via apenas como a "Eterna", mas como uma pessoa, alguém que podia ser mais do que uma imagem em um outdoor.
Capítulo 5: Quebrando o Ciclo
Lúcia começou a desafiar o Patrono. Ela usou sua influência para promover as ideias de Rafael, criando um movimento que começou a abalar as fundações da sociedade controlada. Ela sabia que sua rebelião teria consequências, mas estava disposta a enfrentá-las.
Em um confronto final, Lúcia encontrou-se cara a cara com o Patrono. Ele a alertou sobre as repercussões de suas ações, mas ela estava determinada. Com um ato de coragem, ela quebrou o contrato de cristal, sabendo que isso significava perder sua juventude eterna. Em um instante, Lúcia começou a envelhecer, mas ao contrário do que imaginava, sentiu-se livre pela primeira vez em décadas.
Epílogo: O Novo Amanhecer
Lúcia deixou a vida de modelo e passou a viver como uma pessoa comum, longe dos holofotes, mas mais feliz do que jamais fora. O movimento iniciado por Rafael floresceu, trazendo uma nova era onde a autenticidade e a humanidade eram celebradas. A lenda da "Eterna" se tornou uma fábula, contada para lembrar as pessoas da importância de escolherem o caminho certo, mesmo que ele não seja o mais fácil.
E assim, Lúcia viveu o restante de seus dias, não como um ícone inalcançável, mas como alguém que havia encontrado a verdadeira beleza na simplicidade da vida.
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