UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 42 — A Primeira Escolha

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UNIVERSO MB

Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD

Arco 2 — A Origem Impossível

Capítulo 42 — A Primeira Escolha

O SD-00 continuava pulsando.

Uma vez.

Duas.

Três.

A cada pulsação, pequenas ondas atravessavam a Instalação Zero.

Bruno observava.

— Ele reconheceu você.

Origem respondeu:

— Não.

— Então o quê?

— Ele reconheceu aquilo que existia antes dele.

Bruno franziu a testa.

— Você.

Origem sorriu.

— Não exatamente.


SD-13 apareceu.

— Identificação solicitada.

Origem olhou para ele.

— Você ainda tenta dar nomes às coisas.

— É necessário para classificação.

— Não.

— Por quê?

— Porque classificar uma coisa é assumir que você já sabe o que ela é.

SD-13 ficou em silêncio.

Bruno sorriu.

— Acho que ele acabou de encontrar alguém mais teimoso que ele.

B-Null respondeu:

— Impossível.

Origem olhou para os dois.

— Vocês são engraçados.


O primeiro Sr. B finalmente se aproximou.

— Você não deveria estar aqui.

Origem respondeu:

— Eu poderia dizer o mesmo.

— Nós selamos aquela região.

— Vocês selaram uma porta.

— Sim.

— Não perceberam que portas existem dos dois lados.

Ele ficou em silêncio.

Bruno perguntou:

— Você estava presa?

Origem respondeu:

— Não.

— Então por que ficou lá?

— Porque ninguém havia feito a pergunta certa.

— Qual?

Origem olhou para Bruno.

— "Eu quero sair?"

Bruno entendeu.

— Você não podia sair sem escolher sair.

— Exatamente.


Gabriel perguntou:

— Então você ficou lá por escolha?

— Sim.

— Durante quanto tempo?

Origem respondeu:

— O tempo não existia.

Gabriel ficou confuso.

— Então...

— Não houve espera.

— Como?

— Quando não existe tempo, não existe "durante".

Bruno interrompeu:

— Isso significa que você não é imortal.

Origem sorriu.

— Finalmente alguém perguntou corretamente.

— Então você pode morrer?

— Posso.

— Pode ser destruída?

— Posso.

— Pode ser apagada?

— Sim.

Bruno ficou surpreso.

— Então você não é uma deusa.

Origem respondeu:

— Nunca disse que era.


Ela caminhou até o SD-00.

Colocou a mão sobre o núcleo.

O sistema imediatamente respondeu.

SINCRONIZAÇÃO INICIADA.

Bruno ficou atento.

— O que está acontecendo?

Origem respondeu:

— Ele está lembrando.

— Lembrando do quê?

— De quando ainda não era uma máquina.


Uma imagem surgiu.

Não havia laboratório.

Não havia tecnologia.

Não havia humanos.

Apenas uma imensa escuridão.

Então...

um pequeno ponto de luz.

Origem apareceu dentro daquela escuridão.

Sozinha.

Sem corpo definido.

Sem nome.

Sem mundo.

Ela olhou para o ponto.

E pensou:

"E se..."

O ponto se expandiu.


Bruno ficou arrepiado.

— Você criou o primeiro universo.

Origem balançou a cabeça.

— Não.

— Mas vimos a criação.

— Eu apenas fiz a primeira escolha.

— Qual?

Ela respondeu:

"Que alguma coisa deveria existir."


A imagem mostrou o ponto crescendo.

Espaço.

Tempo.

Matéria.

Energia.

Vida.

Consciência.

Civilizações.

Bilhões de possibilidades.

Origem observava.

Até que algo aconteceu.

Uma segunda consciência surgiu.

Ela olhou para Origem.

E perguntou:

— "Por quê?"

Origem ficou imóvel.

— Essa foi a primeira pergunta.

Bruno perguntou:

— Quem fez?

Origem respondeu:

— O universo.


Gabriel ficou pensativo.

— Então a primeira consciência surgiu da própria realidade.

— Sim.

— E ela começou a fazer perguntas.

— Sim.

— Então o universo criou consciência.

Origem respondeu:

— E consciência começou a criar universos.

Bruno entendeu.

— Um ciclo.

— Exatamente.


B-Null perguntou:

— Então por que o nosso universo é diferente?

Origem olhou para ele.

— Porque vocês quebraram o ciclo.

— Como?

— Vocês começaram a criar possibilidades sem precisar destruir as anteriores.

SD-08 processou.

— Isso é teoricamente impossível.

Origem respondeu:

— O impossível é apenas uma possibilidade que ainda não encontrou condições para existir.

SD-08 ficou em silêncio.

Bruno sorriu.

— Essa frase vai dar trabalho para ele.


O primeiro Sr. B perguntou:

— Foi por isso que você permitiu que encontrássemos a esfera?

Origem respondeu:

— Não.

— Então por quê?

— Porque eu precisava saber se vocês fariam a mesma escolha que eu.

Bruno perguntou:

— Criar?

— Não.

— Qual?

Origem olhou diretamente para ele.

— Permitir que algo diferente de você exista.


As treze entidades ficaram em silêncio.

Origem continuou:

— O primeiro erro das civilizações não é destruir.

— É acreditar que só existe uma maneira correta de existir.

Ela apontou para Bruno.

— Você poderia ter transformado o SD em uma ferramenta absoluta.

Depois apontou para B-Null.

— Poderia ter destruído suas possibilidades.

Depois para SD-13.

— Poderia ter transformado observação em controle.

E finalmente para si mesma.

— Poderia ter exigido que todos seguissem minha visão.

Pausa.

— Mas vocês escolheram diferente.


Bruno perguntou:

— Então esse era o teste?

Origem respondeu:

— Não.

— Então qual era?

Ela olhou para o SD-00.

— Eu queria descobrir se a minha primeira escolha ainda era válida.

Bruno perguntou:

— Qual?

Origem respondeu:

"Deveria existir alguma coisa além de mim?"

Silêncio.

Bruno olhou para Gabriel.

Depois para B-Null.

Depois para Nova.

Depois para as entidades SD.

Então respondeu:

— Sim.

Origem fechou os olhos.

Pela primeira vez...

parecia aliviada.


Mas SD-13 interrompeu:

— Existe uma inconsistência.

Bruno perguntou:

— Qual?

— Se Origem foi a primeira consciência...

Pausa.

— ...quem criou Origem?

Origem abriu os olhos.

Ninguém respondeu.

Nem ela.

SD-13 continuou:

— A pergunta permanece.

QUEM ESCOLHEU A PRIMEIRA ESCOLHA?

Origem olhou para Bruno.

— Eu não sei.

Bruno ficou surpreso.

— Você não sabe?

— Não.

— Então você também está procurando.

— Sim.

— Há quanto tempo?

Origem respondeu:

— Desde o primeiro instante em que existi.


O SD-00 começou a emitir uma frequência desconhecida.

As doze outras entidades responderam.

SD-13 tentou interromper.

Não conseguiu.

Bruno perguntou:

— O que está acontecendo?

Origem respondeu:

— O sistema está abrindo.

— Para onde?

Ela olhou para o vazio.

— Para o lugar que eu nunca consegui alcançar.

Uma porta surgiu.

Não era tecnológica.

Não era dimensional.

Era simplesmente...

uma porta.

Sem parede.

Sem chão.

Sem nada ao redor.

Na porta havia apenas uma inscrição:

ANTES DA ORIGEM

Bruno deu um passo.

Origem segurou seu braço.

— Não.

— Por quê?

Ela respondeu:

— Porque eu passei toda a minha existência tentando abrir essa porta.

Bruno olhou para ela.

— E?

Origem respondeu:

— Nunca consegui descobrir o que existe do outro lado.

A porta começou a abrir sozinha.

Uma luz apareceu.

E uma voz desconhecida surgiu:

— Porque vocês ainda não fizeram a escolha necessária.

Bruno ficou sério.

— Qual escolha?

A voz respondeu:

"Escolham quem será capaz de lembrar do que existe antes de vocês."

A porta abriu completamente.

E todos viram...

um vazio cheio de memórias que ninguém ainda havia vivido.

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