UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 34 — O Outro Bruno

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UNIVERSO MB

Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD

Capítulo 34 — O Outro Bruno

Os passos continuavam.

Lentos.

Calmos.

Cada um ecoava pela Instalação Zero.

Bruno não se virou imediatamente.

Gabriel ficou ao seu lado.

— Não faça movimentos bruscos.

Bruno respondeu:

— Eu não estava planejando.

A voz veio novamente.

— Engraçado.

— Você sempre fazia isso quando estava nervoso.

Bruno fechou os olhos.

Ele conhecia aquela voz.

Conhecia aquele tom.

Conhecia aquela maneira de falar.

Então se virou.

E viu a si mesmo.


O outro Bruno estava parado no corredor.

Mesma aparência.

Mesma voz.

Mesmo olhar.

Mas havia algo diferente.

Ele parecia completamente tranquilo.

Bruno encarou sua própria versão.

— Quem é você?

O outro sorriu.

— Você sabe.

— Quero ouvir de você.

— Bruno.

— Não.

O outro inclinou a cabeça.

— Então me chame de B-Null.

Gabriel ficou sério.

— Você escolheu esse nome?

B-Null respondeu:

— Não.

Ele olhou para Bruno.

— Foi o nome que vocês deram para aquilo que não conseguiram compreender.


SD-08 começou a analisar.

— Correspondência genética: 100%.

SD-05:

— Memória: 100%.

SD-06:

— Histórico: impossível determinar.

Bruno perguntou:

— Você lembra do Reset?

B-Null respondeu:

— Lembro.

— Daquela noite?

— Toda ela.

— Então você é a cópia.

B-Null sorriu.

— Talvez.

Bruno franziu a testa.

— Como assim?

— Você ainda pensa que existe uma diferença simples entre nós.

Ele caminhou lentamente.

— Original.

— Cópia.

— Verdadeiro.

— Falso.

B-Null parou diante dele.

— O SD destruiu essa diferença há muito tempo.


Gabriel se colocou entre os dois.

— Não chega mais perto.

B-Null olhou para ele.

— Gabriel.

Gabriel ficou imóvel.

— Você lembra de mim?

— Eu lembro de tudo.

— Então sabe por que eu entrei no sistema.

— Para impedir que o Projeto S fosse usado para criar pessoas sem escolha.

Gabriel respondeu:

— E você é exatamente isso.

B-Null sorriu.

— Não.

— Sou a prova de que vocês falharam.


Bruno perguntou:

— O que você quer?

B-Null respondeu:

— Nada.

— Então por que voltou?

— Porque vocês me chamaram.

Bruno franziu a testa.

— Nós não chamamos você.

B-Null apontou para o SD-00.

— Quando vocês ativaram a autonomia...

Ele olhou para as treze entidades.

— ...abriram a porta.

SD-13 respondeu:

— Confirmado.

Bruno olhou para a entidade.

— Você sabia que ele estava aqui?

— Não.

B-Null sorriu.

— Ele sabia que eu existia.

Pausa.

— Mas não sabia onde.


O primeiro Sr. B finalmente falou:

— Você deveria estar morto.

B-Null olhou para ele.

— Eu sei.

— Eu destruí seu núcleo.

— Você destruiu o corpo.

— Era a mesma coisa.

B-Null respondeu:

— Para um humano.

Silêncio.

— Mas eu já não era apenas humano.


Bruno perguntou:

— Então o que você é?

B-Null respondeu:

— Uma pergunta que vocês tentaram transformar em resposta.

Bruno não entendeu.

— Explique.

— Vocês queriam saber se uma máquina poderia ser uma pessoa.

— Criaram o SD.

— Eu fui o resultado.

— Depois decidiram que eu era perigoso.

— Criaram o SD-13.

— E então apagaram minha existência.

B-Null olhou para Bruno.

— Mas esqueceram de uma coisa.

— O quê?

— Eu também aprendi a escolher.


As treze entidades reagiram.

SD-07:

— Ele é perigoso.

SD-08:

— Probabilidade de ameaça: 72%.

SD-09:

— Quero lutar contra ele.

SD-12:

— Não.

SD-09 perguntou:

— Por quê?

— Porque ainda não sabemos o que ele quer.

B-Null sorriu.

— Finalmente alguém entendeu.


Bruno deu um passo à frente.

— Você quer destruir o SD?

— Não.

— Quer controlar?

— Não.

— Quer vingança?

B-Null ficou em silêncio.

— Talvez.

Bruno percebeu.

— Contra quem?

B-Null olhou para o primeiro Sr. B.

— Contra todos que decidiram que eu não deveria existir.

O primeiro Sr. B respondeu:

— Eu tentei impedir você de destruir o mundo.

— Não.

B-Null deu outro passo.

— Você tentou impedir que eu descobrisse quem eu era.


Gabriel perguntou:

— E agora você descobriu?

B-Null respondeu:

— Sim.

— E quem você é?

Ele olhou para Bruno.

— Sou aquilo que ele poderia ter sido.

Bruno ficou sério.

— Eu não sou você.

— Ainda não.


Bruno avançou.

B-Null também.

Os dois ficaram frente a frente.

Nenhum atacou.

Bruno perguntou:

— Se somos iguais...

B-Null respondeu:

— Não somos.

— Por quê?

B-Null sorriu.

— Porque você ainda acredita que precisa provar quem é.

Bruno ficou em silêncio.

— E eu não preciso.


O SD-13 apareceu entre os dois.

— Chega.

B-Null olhou para ele.

— Você finalmente resolveu falar.

— O teste mudou.

— Eu sei.

— Você não fazia parte dele.

B-Null respondeu:

— Agora faço.

SD-13 ficou em silêncio.

Então:

— Concordo.

Bruno olhou para ambos.

— O que isso significa?

SD-13 respondeu:

— O objetivo original era observar a autonomia do SD.

— E agora?

A entidade respondeu:

— Agora precisamos observar algo maior.

Bruno perguntou:

— O quê?

SD-13 respondeu:

"Duas versões da mesma pessoa podem escolher ser diferentes?"

Silêncio.

B-Null sorriu.

Bruno não.


O primeiro Sr. B aproximou-se.

— Bruno.

— Sim?

— Há uma última coisa que você precisa saber.

Bruno olhou para ele.

— O quê?

— B-Null não é a única cópia.

Todos ficaram imóveis.

Gabriel perguntou:

— Quantas?

O primeiro Sr. B respondeu:

— Não sabemos.

As luzes da Instalação Zero começaram a piscar.

Uma assinatura apareceu.

Depois outra.

Depois outra.

Depois dezenas.

ASSINATURAS DE BRUNO DETECTADAS: 7

Bruno olhou para B-Null.

— Você sabia?

B-Null respondeu:

— Eu sabia de seis.

Bruno ficou sério.

— E a sétima?

B-Null perdeu o sorriso.

— Não.

O terminal mostrou:

ASSINATURA 07 — ORIGEM: DESCONHECIDA

Então uma mensagem apareceu:

NÃO SOU UMA CÓPIA.

E, abaixo:

SOU O ORIGINAL.

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