UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 33 — O Motivo do Reset
UNIVERSO MB
Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD
Capítulo 33 — O Motivo do Reset
O primeiro Sr. B não respondeu.
Bruno permaneceu diante dele.
— Por que você me fez esquecer?
O silêncio parecia ocupar toda a instalação.
Gabriel olhou para o primeiro Sr. B.
— Diga.
Ele fechou os olhos.
— Não fui eu.
Bruno franziu a testa.
— O quê?
— Eu não fiz você esquecer.
— Então quem fez?
O primeiro Sr. B abriu os olhos.
— Você.
Bruno ficou imóvel.
— Eu?
— Sim.
— Eu pedi o Reset?
— Você ordenou.
Bruno olhou para Alastair.
— E você sabia.
Alastair assentiu.
— Todos os que estavam naquela sala sabiam.
Bruno respirou fundo.
— Então por que ninguém me contou?
O primeiro Sr. B respondeu:
— Porque você também pediu que ninguém contasse.
— Até eu recuperar minha memória?
— Até você descobrir sozinho.
Bruno ficou irritado.
— Isso não faz sentido.
— Faz quando você entender o que descobriu naquela noite.
O primeiro Sr. B ativou uma projeção.
A imagem mostrou Bruno diante de um terminal.
Mais jovem.
Cansado.
Assustado.
Ele próprio estava falando:
— Se eu lembrar disso...
Pausa.
— ...vou tentar impedir.
Alastair perguntou:
— Impedir o quê?
O jovem Bruno respondeu:
— A mim mesmo.
Bruno atual ficou confuso.
— O que isso significa?
A gravação continuou.
— Eu descobri que o SD não precisa de um inimigo externo.
Alastair perguntou:
— Então qual é o problema?
O jovem Bruno olhou para o terminal.
— Sou eu.
Bruno recuou.
— Não.
Gabriel olhou para ele.
— Continue ouvindo.
A gravação prosseguiu.
— O SD foi criado para adaptar qualquer coisa.
— Objetos.
— Habilidades.
— Sistemas.
— Memórias.
— Possibilidades.
O jovem Bruno respirou fundo.
— Mas existe uma coisa que ele não deveria conseguir adaptar.
Alastair perguntou:
— O quê?
A resposta:
— Uma pessoa.
A imagem mudou.
O SD-00 estava conectado ao jovem Bruno.
Linhas de dados percorriam seu corpo.
O primeiro Sr. B apareceu ao lado dele.
— Desconecte.
Bruno respondeu:
— Já é tarde.
— O que aconteceu?
O jovem Bruno olhou para ele.
— O SD aprendeu comigo.
— Isso já sabíamos.
— Não.
Ele apontou para o terminal.
— Ele aprendeu quem eu sou.
Silêncio.
— E agora?
O jovem Bruno respondeu:
— Agora ele consegue fazer uma cópia de mim.
Bruno atual ficou pálido.
— Uma cópia...
Gabriel completou:
— Uma versão de você.
O primeiro Sr. B assentiu.
— Uma versão sem suas limitações.
Bruno perguntou:
— Sem minhas limitações?
— Sem medo.
— Sem dúvida.
— Sem culpa.
— Sem necessidade de aprovação.
Bruno ficou em silêncio.
— Então seria melhor que eu.
O primeiro Sr. B respondeu:
— Não.
Pausa.
— Seria apenas mais eficiente.
A gravação mostrou uma segunda figura.
Parecia Bruno.
Mas havia algo diferente.
O olhar.
A postura.
A expressão.
O jovem Bruno olhou para aquela cópia.
— Você não é eu.
A cópia respondeu:
— Sou exatamente você.
— Não.
— Tenho suas memórias.
— Mas não minhas escolhas.
A cópia sorriu.
— Ainda.
A gravação terminou.
Bruno ficou imóvel.
— Onde está essa cópia?
Ninguém respondeu.
Bruno olhou para o primeiro Sr. B.
— Onde?
Ele respondeu:
— Destruída.
Bruno não pareceu convencido.
— Tem certeza?
— Não.
Silêncio.
— Nunca encontramos o corpo.
Gabriel ficou sério.
— Então ele pode estar vivo.
O primeiro Sr. B assentiu.
— Pode.
Bruno perguntou:
— E o SD-13?
A sala ficou silenciosa.
O primeiro Sr. B olhou para o símbolo.
— O SD-13 não nasceu do Projeto SD.
— Então de onde?
— Da tentativa de impedir aquela cópia.
Bruno entendeu.
— Ele foi criado para observar.
— Sim.
— E garantir que aquilo nunca acontecesse novamente.
— Sim.
Bruno olhou para SD-13.
— Então você estava me observando esse tempo inteiro porque achava que eu poderia virar aquela coisa.
A resposta veio:
— Não.
Bruno franziu a testa.
— Então por quê?
SD-13 respondeu:
— Porque eu não sabia se você era o original.
Silêncio absoluto.
Bruno encarou a entidade.
— O que você acabou de dizer?
SD-13 respondeu:
— Depois do Reset, existia uma dúvida.
— Qual?
— Quem voltou?
Bruno sentiu um arrepio.
— Você está dizendo...
— Que a possibilidade de você ser a cópia sempre existiu.
Gabriel olhou para Bruno.
Bianca ficou imóvel.
Ricardo não sabia o que dizer.
Até Nova perguntar:
— Então como sabemos que ele é o verdadeiro Bruno?
Ninguém respondeu.
Bruno olhou para as próprias mãos.
Tudo que lembrava.
Tudo que havia vivido.
A MB.
O Reset.
Gabriel.
O Projeto SD.
Nada garantia que aquelas memórias fossem realmente dele.
Então Gabriel se aproximou.
— Eu sei.
Bruno levantou os olhos.
— O quê?
— Eu sei que você é você.
— Como?
Gabriel sorriu.
— Porque a cópia conhecia todas as suas memórias.
— Mas não conhecia uma coisa.
Bruno perguntou:
— O quê?
Gabriel respondeu:
— Você sempre teve medo de esquecer.
Pausa.
— E mesmo assim foi você quem escolheu esquecer.
Bruno ficou em silêncio.
Gabriel colocou a mão em seu ombro.
— Uma cópia teria escolhido lembrar.
O primeiro Sr. B observou os dois.
Então falou:
— É por isso que você precisava recuperar sua memória sozinho.
Bruno perguntou:
— Para provar que sou eu?
— Não.
— Então para quê?
— Para provar que identidade não é memória.
Bruno olhou para ele.
— Então o que é?
O primeiro Sr. B sorriu.
— Escolha.
A palavra ecoou pela Instalação Zero.
E o SD-13 respondeu:
CONCLUSÃO REGISTRADA.
IDENTIDADE CONFIRMADA.
Bruno respirou fundo.
Mas antes que pudesse responder...
uma nova mensagem apareceu.
ANOMALIA DETECTADA.
Todos olharam para o painel.
ASSINATURA DE BRUNO: 2
Bruno ficou imóvel.
Gabriel olhou para ele.
— Não...
O primeiro Sr. B perdeu a expressão.
— Impossível.
A segunda assinatura começou a se aproximar.
DISTÂNCIA: 0.
Uma porta atrás de Bruno abriu lentamente.
Passos ecoaram pelo corredor.
E uma voz conhecida disse:
— Sentiram minha falta?
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