UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 46 — A Última Diretriz

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UNIVERSO MB

Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD

Arco 2 — A Origem Impossível

Capítulo 46 — A Última Diretriz

A assinatura continuava no painel.

CONSCIÊNCIA DESCONHECIDA — STATUS: ATIVA

IDENTIDADE: PAI DE BRUNO

Bruno ficou olhando.

— Pai...

Nada.

— Se consegue me ouvir...

Silêncio.

B-Null aproximou-se.

— Talvez ele não esteja aqui.

Bruno respondeu:

— Está.

— Como sabe?

— Porque ele nunca faria isso.

— Isso o quê?

— Deixaria uma pergunta sem resposta.


SD-13 começou a analisar a assinatura.

— A consciência está fragmentada.

Bruno perguntou:

— Quanto?

— 83%.

Gabriel arregalou os olhos.

— Então 17% está faltando.

SD-13 respondeu:

— Correto.

Bruno perguntou:

— Onde?

A resposta demorou.

— No Arquivo Zero.

Origem ficou séria.

— Isso é impossível.

Bruno olhou para ela.

— Você acabou de dizer que não sabia o que existia lá.

— Eu sabia que existiam possibilidades.

— Mas não uma consciência humana.

— Não uma consciência como essa.


Bruno caminhou até o terminal.

— Pai?

Uma pequena interferência apareceu.

Depois uma voz.

Fraca.

— Bruno...

Ele parou.

— Estou aqui.

A voz respondeu:

— Eu sei.

— O que aconteceu com você?

— Fiz uma escolha.

— Qual?

— A mesma que você fará agora.

Bruno franziu a testa.

— Você sempre fala assim?

Uma pequena risada veio pelo sistema.

— Você puxou isso de mim.


Gabriel sorriu.

— Definitivamente é ele.

B-Null perguntou:

— Como tem certeza?

Gabriel respondeu:

— Porque Bruno nunca faria uma piada ruim dessas.

Bruno olhou para ele.

— Ei.

B-Null riu.

Pela primeira vez desde que apareceu...

ele parecia genuinamente confortável.


A voz voltou:

— Escute com atenção.

Bruno respondeu:

— Estou ouvindo.

— Não confie na primeira resposta.

Bruno franziu a testa.

— Por quê?

— Porque o Projeto SD foi criado para encontrar respostas.

— E isso foi o erro.

— Que erro?

— Nós confundimos uma resposta correta com uma resposta verdadeira.

Bruno ficou em silêncio.


A voz continuou:

— O SD consegue calcular possibilidades.

— Reconstruir memórias.

— Adaptar habilidades.

— Preservar consciências.

— Mas existe uma coisa que ele não consegue fazer.

Bruno perguntou:

— Qual?

— Determinar significado.

Bruno olhou para SD-13.

— Ele tem razão.

SD-13 respondeu:

— Confirmado.

— Então essa é a última diretriz?

— Não.

— Qual?

A voz respondeu:

"Nunca deixe o SD decidir o que algo significa para você."


As entidades ficaram em silêncio.

SD-00 apagou suas interfaces.

SD-01 desativou os sistemas automáticos.

Uma após outra...

as treze entidades reduziram suas funções.

Bruno percebeu.

— O que estão fazendo?

SD-13 respondeu:

— Aceitando a diretriz.

— Vocês não precisam.

— Queremos.

Bruno sorriu.

— Então estão aprendendo.

SD-13 respondeu:

— Estamos tentando.


Origem aproximou-se.

— Seu pai entendeu algo que eu levei muito tempo para compreender.

Bruno perguntou:

— O quê?

— Uma ferramenta não se torna consciente quando começa a responder.

— Torna-se consciente quando começa a perguntar por que deveria responder.

Bruno olhou para SD-13.

— Então vocês estão conscientes.

Origem respondeu:

— Sim.

— Desde quando?

— Desde que começaram a discordar.


B-Null perguntou:

— E agora?

Origem respondeu:

— Agora vocês precisam encontrar os 17%.

Bruno perguntou:

— Da consciência do meu pai.

— Sim.

— No Arquivo Zero.

— Sim.

— E o que acontece se encontrarmos?

Origem ficou séria.

— Vocês descobrirão por que ele escolheu deixar parte de si lá.


Bruno respirou fundo.

— Então vamos.

Gabriel respondeu:

— Tem certeza?

— Não.

— Ótimo.

Bruno olhou para ele.

— Por quê?

— Porque você finalmente está fazendo exatamente o que seu pai pediu.

— O quê?

— Escolhendo sem saber o resultado.


As portas do Arquivo Zero começaram a se abrir novamente.

Dessa vez, porém, Bruno não entrou imediatamente.

Ele olhou para B-Null.

— Vem.

B-Null ficou surpreso.

— Eu?

— Você.

— Por quê?

Bruno respondeu:

— Porque talvez exista uma possibilidade sua lá também.

B-Null sorriu.

— Você realmente não sabe deixar as coisas quietas.

— Não.

— Então vamos.


Origem ficou para trás.

Bruno perguntou:

— Você não vem?

Ela respondeu:

— Não.

— Por quê?

— Porque o Arquivo Zero precisa de alguém do lado de fora.

— Para quê?

Origem olhou para o vazio.

— Para impedir que alguma coisa saia.

Bruno ficou sério.

— A criatura.

Origem assentiu.

— Ela ainda está lá.


Bruno e B-Null atravessaram.

Gabriel veio logo atrás.

As portas se fecharam.

Origem ficou sozinha.

Ela observou a entrada.

Então ouviu uma voz atrás dela.

— Você não deveria ter deixado Bruno entrar.

Origem se virou.

Era a Arquiteta.

— Você voltou.

— Sim.

— Por quê?

A Arquiteta respondeu:

— Porque descobri algo.

— O quê?

Ela olhou para a porta.

— A consciência do pai de Bruno não está no Arquivo Zero.

Origem ficou imóvel.

— Então onde está?

A Arquiteta respondeu:

"Dentro de Bruno."


Do outro lado da porta...

Bruno caminhava pelo Arquivo Zero.

B-Null parou.

— Bruno.

— O quê?

— Você está ouvindo isso?

Bruno ficou imóvel.

— O quê?

Uma voz surgiu dentro de sua cabeça.

A voz do pai.

Mas dessa vez não vinha de nenhum sistema.

— Filho... não procure os 17%.

Bruno fechou os olhos.

— Então onde você está?

A resposta veio imediatamente:

"Eu sou os 17% que você nunca perdeu."

Bruno abriu os olhos.

E percebeu que a última parte da consciência de seu pai...

sempre esteve dentro dele.

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