UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 45 — O Homem que Deveria Estar Morto
UNIVERSO MB
Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD
Arco 2 — A Origem Impossível
Capítulo 45 — O Homem que Deveria Estar Morto
Bruno não se mexeu.
Seu pai estava diante dele.
Mais velho.
Cabelos grisalhos.
O mesmo olhar.
A mesma voz.
A mesma pequena cicatriz na sobrancelha.
Não havia dúvida.
Era ele.
Bruno finalmente conseguiu falar:
— Pai?
O homem sorriu.
— Olá, Bruno.
Bruno deu um passo para trás.
— Não.
— Filho...
— Não.
Ele respirou fundo.
— Você morreu.
O homem respondeu:
— Sim.
Bruno ficou ainda mais confuso.
— Então o que está fazendo aqui?
— Esperando você.
Bruno olhou ao redor.
A casa era exatamente como lembrava.
A mesa.
O sofá.
A estante.
Até um pequeno risco na parede.
Tudo estava no lugar.
Gabriel apareceu atrás dele.
— Bruno...
Bruno levantou a mão.
— Espera.
Seu pai olhou para Gabriel.
— Você também veio.
Gabriel ficou surpreso.
— Você me conhece?
— Conheço todos que ajudaram meu filho a chegar até aqui.
Bruno se aproximou.
— Você sabia sobre o Projeto SD.
— Sim.
— Sabia sobre a MB.
— Sim.
— Sabia sobre o Reset.
— Sim.
— Sabia que eu morreria.
O pai ficou em silêncio.
Bruno sentiu a raiva crescer.
— Responda.
— Sim.
Bruno fechou os punhos.
— E não fez nada?
O pai respondeu:
— Fiz.
— O quê?
— Deixei você morrer.
Gabriel ficou em choque.
Bruno não respondeu.
Durante alguns segundos, só se ouviu o relógio da sala.
— Por quê?
O pai respondeu:
— Porque salvá-lo naquele momento teria destruído aquilo que você poderia se tornar.
Bruno deu uma risada sem humor.
— Você está dizendo que me deixou morrer para me salvar?
— Sim.
— Isso é absurdo.
— Eu sei.
— Você não tinha esse direito.
O pai baixou os olhos.
— Não.
— Então por que fez?
— Porque você pediu.
Bruno congelou.
— Eu pedi?
— Sim.
A memória voltou.
Bruno mais jovem.
Muito antes do Reset.
Sentado naquela mesma sala.
Seu pai diante dele.
O jovem Bruno dizia:
— Se alguma coisa acontecer comigo...
— Não.
— Pai.
— Não diga isso.
— Se acontecer...
Ele colocou a pequena peça metálica sobre a mesa.
— Não tente me trazer de volta.
O pai ficou imóvel.
— Prometa.
— Bruno...
— Prometa.
Depois de alguns segundos...
— Eu prometo.
A memória desapareceu.
Bruno ficou olhando para o pai.
— Eu sabia.
— Sim.
— Eu sabia que poderia morrer.
— Sim.
— E pedi para você não me salvar.
— Sim.
Bruno respirou fundo.
— Por quê?
O pai respondeu:
— Porque você descobriu algo que eu ainda não compreendia.
— O quê?
— Que continuar existindo não significa continuar sendo a mesma pessoa.
Gabriel perguntou:
— E o Projeto SD?
O pai respondeu:
— Foi criado para resolver exatamente esse problema.
Bruno perguntou:
— O sistema deveria me trazer de volta?
— Não.
— Então?
— Deveria permitir que você decidisse se queria voltar.
Bruno franziu a testa.
— Mas eu não estava consciente.
— Estava.
Silêncio.
— O quê?
Seu pai apontou para ele.
— A parte de você que permaneceu.
Bruno lembrou da voz.
Sua intenção.
— Então você sabia que eu estava dentro do sistema.
— Sim.
— E esperou.
— Sim.
Bruno perguntou:
— Quanto tempo?
— Depois da sua morte?
— Sim.
— Dezessete anos.
Bruno ficou imóvel.
— Dezessete?
— Sim.
— E durante todo esse tempo...
— Eu mantive o sistema funcionando.
— Sozinho?
— Não.
Seu pai olhou para Gabriel.
— Tivemos ajuda.
Gabriel ficou surpreso.
— Minha?
— Sua.
— Mas eu nem sabia.
— Algumas pessoas trabalham melhor quando não sabem que estão trabalhando.
Gabriel fez uma expressão desconfiada.
— Essa frase não me tranquiliza.
O pai sorriu.
— Não era para tranquilizar.
Bruno olhou para a janela.
— Então quem é a Arquiteta?
O pai respondeu:
— Uma parte do projeto.
— E Origem?
— Outra.
— E B-Null?
— Uma consequência.
— E aquela coisa no Arquivo Zero?
O pai ficou sério.
— A consequência que nós não conseguimos apagar.
Bruno perguntou:
— O que ela é?
— O primeiro erro.
Bruno se virou.
— Erro de quem?
Seu pai respondeu:
— Meu.
Silêncio.
— Você criou aquela coisa?
— Não.
— Então como é seu erro?
— Porque eu descobri que ela existia.
— E fiz o quê?
— Tentei escondê-la.
— Onde?
Seu pai respondeu:
— Dentro do primeiro universo.
Bruno ficou em silêncio.
— Então ela está lá desde o começo.
— Sim.
— Esperando.
— Sim.
— E agora sabe que eu existo.
— Sempre soube.
Bruno sentiu um arrepio.
— Então por que só apareceu agora?
Seu pai respondeu:
— Porque antes você não conseguia ouvi-la.
— E agora?
— Agora você aprendeu a escolher.
Gabriel perguntou:
— E o que acontece agora?
O pai respondeu:
— Agora vocês precisam decidir se vão continuar o Projeto SD.
Bruno perguntou:
— E se continuarmos?
— Vocês vão descobrir a verdade completa.
— E se pararmos?
— A verdade continuará existindo.
Bruno sorriu.
— Então não faz muita diferença.
O pai também sorriu.
— Exatamente.
Bruno se aproximou.
— Eu tenho uma última pergunta.
— Faça.
— Por que você ainda está vivo?
O pai ficou sério.
— Porque eu não estou.
Bruno congelou.
— O quê?
O homem começou a desaparecer.
Primeiro as mãos.
Depois os braços.
Bruno avançou.
— Pai!
Ele sorriu.
— Eu só consegui conversar com você porque você finalmente abriu a memória certa.
— Espere!
— Bruno...
— Não!
— Você precisa entender uma coisa.
Bruno parou.
— O quê?
Seu pai respondeu:
"Eu não sobrevivi à minha morte. Você sobreviveu à sua."
O corpo desapareceu.
A casa inteira começou a se desfazer.
Gabriel segurou Bruno.
— Vamos.
Bruno não respondeu.
A última coisa que ouviu foi a voz do pai:
— Agora encontre quem realmente morreu naquela noite.
Bruno abriu os olhos.
Estava novamente na Instalação Zero.
Todos estavam ali.
Origem.
B-Null.
As entidades SD.
O primeiro Sr. B.
Bruno olhou para ele.
— Meu pai não está vivo.
O primeiro Sr. B respondeu:
— Não.
— Então quem estava comigo?
Ele ficou em silêncio.
Bruno continuou:
— Era uma memória.
— Sim.
— Mas parecia real.
— Porque era.
Bruno franziu a testa.
— Como uma memória pode conversar comigo?
SD-13 respondeu:
— Não era uma memória.
Todos olharam para ele.
— Então o que era?
SD-13 respondeu:
"Era a consciência que seu pai deixou para trás."
Bruno ficou imóvel.
Origem completou:
— E agora ela está dentro do Projeto SD.
No painel surgiu uma nova assinatura:
CONSCIÊNCIA DESCONHECIDA — STATUS: ATIVA
E, abaixo:
IDENTIDADE: PAI DE BRUNO
Bruno encarou a tela.
Dessa vez, porém, não sentiu medo.
Sentiu algo diferente.
Esperança.
E uma certeza:
Seu pai ainda tinha uma última coisa para lhe ensinar.
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