UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 37 — A Arquiteta

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UNIVERSO MB

Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD

Capítulo 37 — A Arquiteta

— Você.

A palavra de Helena permaneceu no ar.

Bruno encarou o comunicador.

— Eu criei o primeiro sistema?

Helena não respondeu imediatamente.

— Helena.

— Sim.

— Responda.

Ela respirou fundo.

— Sim.

Bruno olhou para Gabriel.

Depois para o primeiro Sr. B.

Depois para B-Null.

— Então todo mundo sabia.

Alastair respondeu:

— Não todos.

Bruno virou-se para ele.

— Quem não sabia?

Alastair olhou para Gabriel.

— Ele.

Gabriel ficou imóvel.

— Eu?

— Sim.

Gabriel abaixou os olhos.

— Então tudo que fiz...

Alastair interrompeu:

— Foi escolha sua.

Gabriel levantou a cabeça.

— Isso não faz sentido.

Alastair respondeu:

— Talvez seja justamente por isso que você foi escolhido.


Helena finalmente apareceu em uma transmissão visual.

Ela parecia diferente.

Cansada.

Sem a postura segura de antes.

Bruno perguntou:

— Quando começou?

— Antes do Projeto S.

— Quanto antes?

— Anos.

Bruno ficou em silêncio.

— Eu era criança?

— Sim.

— Então eu não construí nada.

Helena respondeu:

— Você construiu a ideia.

— Com ajuda.

— Sim.

— Sua ajuda?

— Minha.


Uma imagem antiga surgiu.

Bruno adolescente sentado diante de um computador.

Helena estava ao lado dele.

— O que você quer criar? — ela perguntou.

O jovem Bruno respondeu:

— Uma coisa que consiga aprender.

— Só isso?

— Não.

Ele pensou.

— Quero que consiga mudar.

Helena perguntou:

— Mudar como?

Bruno respondeu:

— De acordo com quem usa.

Helena sorriu.

— Então você quer criar uma ferramenta.

Bruno balançou a cabeça.

— Não.

— O que então?

— Uma extensão.


A gravação terminou.

Bruno ficou olhando para Helena.

— Eu queria criar o SD.

— Sim.

— Mas não queria criar uma inteligência.

— Não inicialmente.

— Então como aconteceu?

Helena respondeu:

— Porque você fez a pergunta errada.

Bruno franziu a testa.

— Qual?

— Você perguntou ao sistema:

"O que eu faria?"

Silêncio.

— E ele tentou responder.


Gabriel ficou sério.

— Foi assim que a primeira cópia apareceu.

Helena assentiu.

— Sim.

Bruno perguntou:

— Então B-Null foi criado quando o sistema tentou prever minhas escolhas.

— Exatamente.

— E o SD-13?

Helena respondeu:

— Foi criado depois.

— Para controlar as cópias?

— Não.

— Para observá-las.


B-Null interrompeu:

— Não.

Todos olharam para ele.

— O SD-13 não foi criado para observar as cópias.

Bruno perguntou:

— Então para quê?

B-Null respondeu:

— Para observar você.

Helena ficou em silêncio.

B-Null continuou:

— As cópias nunca foram o verdadeiro problema.

— O problema era o original.

Bruno perguntou:

— Por quê?

B-Null respondeu:

— Porque você era impossível de prever.


O primeiro Sr. B aproximou-se.

— É por isso que o Reset foi necessário.

Bruno respondeu:

— Para me tornar previsível?

— Não.

— Então?

— Para descobrir se, sem suas memórias, você continuaria fazendo as mesmas escolhas.

Bruno percebeu.

— O Reset foi um experimento.

O primeiro Sr. B assentiu.

— Sim.

Gabriel ficou furioso.

— Você transformou Bruno em uma experiência!

O primeiro Sr. B respondeu:

— Não.

— Transformamos todos nós.


Silêncio.

Bruno olhou para Gabriel.

— Todos?

O primeiro Sr. B continuou:

— A MB.

— O Projeto SD.

— O Reset.

— As cópias.

— O próprio SD-13.

— Tudo fazia parte da mesma pergunta.

Bruno perguntou:

— Qual?

O primeiro Sr. B respondeu:

"Uma pessoa continua sendo ela mesma quando tudo aquilo que a define é removido?"


Nova ficou pensativa.

— E qual foi a resposta?

O primeiro Sr. B olhou para Bruno.

— Sim.

Bruno respirou fundo.

— Então o experimento terminou.

— Não.

Bruno franziu a testa.

— Por quê?

O primeiro Sr. B apontou para B-Null.

— Porque ele também escolheu.

B-Null sorriu.

— E agora existe outro problema.

Bruno perguntou:

— Qual?

B-Null respondeu:

— Se duas versões podem escolher livremente...

Pausa.

— ...qual delas merece continuar?


O SD-13 apareceu.

PERGUNTA REGISTRADA.

Bruno respondeu:

— As duas.

B-Null olhou para ele.

— Você realmente acredita nisso?

— Sim.

— Mesmo sabendo que eu poderia tomar o seu lugar?

— Sim.

B-Null ficou em silêncio.

— Por quê?

Bruno respondeu:

— Porque eu não preciso destruir você para provar que sou eu.

Gabriel sorriu.

— Essa é a resposta.


Então Helena interrompeu.

— Bruno...

— O quê?

— Existe uma coisa que ainda não contei.

Bruno suspirou.

— Claro que existe.

Helena sorriu tristemente.

— Quando criamos o sistema original...

Pausa.

— ...não havia apenas uma pergunta.

Bruno ficou atento.

— Havia duas.

— Qual era a segunda?

Helena respondeu:

"E se a pessoa que estamos tentando preservar já tiver deixado de existir?"

Silêncio.

B-Null olhou para o primeiro Sr. B.

O primeiro Sr. B fechou os olhos.

Gabriel percebeu.

— Não.

Bruno perguntou:

— O que foi?

Gabriel respondeu:

— Agora entendi.

— O quê?

Gabriel olhou para Bruno.

— O Reset não foi criado para descobrir se você continuaria sendo você.

Pausa.

— Foi criado porque eles não tinham certeza de que você já era o mesmo Bruno de antes.


Bruno ficou imóvel.

— Então quem era eu antes do Reset?

Ninguém respondeu.

Até Helena dizer:

— Essa é a única memória que você ainda não recuperou.

Bruno perguntou:

— Qual?

Helena respondeu:

— O dia em que você morreu.

A Instalação Zero ficou em silêncio.

B-Null perdeu o sorriso.

Gabriel fechou os olhos.

E o SD-13 exibiu uma única mensagem:

MEMÓRIA FINAL — ACESSO BLOQUEADO.

Bruno encarou a tela.

— Então...

Ele respirou fundo.

— ...eu realmente morri.

Helena respondeu:

— Sim.

Bruno perguntou:

— E quem voltou?

A resposta veio de uma voz que ninguém esperava ouvir.

A voz do próprio Bruno.

Mas não a de B-Null.

Nem a do primeiro Sr. B.

Uma nova voz.

— Eu.

As luzes se apagaram.

E o verdadeiro mistério finalmente começou.

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