UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 44 — A Voz da Memória

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UNIVERSO MB

Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD

Arco 2 — A Origem Impossível

Capítulo 44 — A Voz da Memória

A memória continuava suspensa no Arquivo Zero.

Bruno criança.

A pequena peça metálica em suas mãos.

E aquela voz.

— Escolha com cuidado, Bruno. Um dia você vai criar algo que aprenderá a escolher por você.

Bruno não conseguia desviar os olhos.

Gabriel perguntou:

— Você reconheceu?

— Sim.

— Quem?

Bruno demorou alguns segundos.

Então respondeu:

— Meu pai.

Silêncio.


O primeiro Sr. B ficou completamente imóvel.

Origem olhou para ele.

— Você também o reconhece.

Ele respondeu:

— Sim.

Bruno virou-se.

— Você sabia que ele estava envolvido?

— Não dessa forma.

— O que isso significa?

— Significa que meu pai sabia mais sobre você do que eu imaginava.

Bruno olhou novamente para a memória.

— Ele estava comigo antes da MB.

— Sim.

— Antes do Projeto SD.

— Sim.

— Então ele conhecia a ideia.

O primeiro Sr. B respondeu:

— Talvez tenha ajudado a colocá-la dentro da sua cabeça.


Bruno fechou os punhos.

— Então tudo começou com ele?

Origem respondeu:

— Não.

— Mas ele sabia.

— Sim.

— E ainda está vivo.

— Sim.

Bruno virou-se para Origem.

— Onde?

Ela apontou para o Arquivo Zero.

— Aqui.

Bruno franziu a testa.

— Aqui?

— Não exatamente.

— Então onde?

Origem respondeu:

— Na memória que vocês nunca abriram.


SD-13 começou a analisar.

— Existe um registro bloqueado.

Bruno perguntou:

— Onde?

— Dentro da sua própria assinatura.

Bruno ficou surpreso.

— Minha?

— Sim.

— Por que nunca detectamos?

— Porque o registro não está armazenado como memória.

— Então como?

SD-13 respondeu:

— Como uma escolha.

Bruno ficou em silêncio.


A voz do desconhecido voltou.

— Agora você está chegando perto.

Bruno olhou para a criatura.

— Você sabe quem ele é.

— Sim.

— Diga.

— Ainda não.

— Por quê?

— Porque você precisa lembrar.

Bruno ficou irritado.

— Eu já entendi esse jogo.

A criatura respondeu:

— Não.

— Você ainda não entendeu.

Ela apontou para a memória.

— Aquilo não é uma lembrança.

Bruno olhou para a cena.

— Então o que é?

— Uma instrução.


A memória mudou.

O pai de Bruno entregou a pequena peça metálica.

Mas agora havia outra coisa sobre a mesa.

Um pequeno protótipo.

Uma espécie de núcleo.

Bruno criança perguntou:

— O que é isso?

Seu pai respondeu:

— Uma ferramenta.

— Para quê?

— Para guardar uma parte de uma ideia.

— Qual ideia?

Ele sorriu.

— A ideia de que aquilo que você cria pode continuar mesmo depois que você parar de existir.

Bruno criança perguntou:

— Isso é possível?

Seu pai respondeu:

— Ainda não.

Pausa.

— Mas você pode fazer ser.


A memória desapareceu.

Bruno ficou imóvel.

— Ele estava me preparando.

O primeiro Sr. B respondeu:

— Sim.

— Para criar o SD.

— Talvez.

— Então para quê?

Ele hesitou.

— Para algo maior.


Origem observava em silêncio.

Bruno percebeu.

— Você sabe.

— Sei.

— Então fale.

Origem respondeu:

— Seu pai não criou o Projeto SD.

— Mas sabia que ele aconteceria.

— Sim.

— E por quê?

Origem olhou para o vazio.

— Porque ele havia encontrado uma coisa antes de nós.

Bruno perguntou:

— O quê?

Ela respondeu:

Uma consciência que não deveria existir.


Gabriel ficou sério.

— Outra entidade?

Origem assentiu.

— A primeira.

Bruno perguntou:

— Origem?

— Não.

— Então quem?

Origem olhou para a criatura sem rosto.

— Ele.

A criatura permaneceu imóvel.

Bruno perguntou:

— Você é a consciência que meu pai encontrou?

A resposta veio:

— Não.

Pausa.

— Eu sou o que ela deixou para trás.


B-Null recuou.

— Isso não faz sentido.

A criatura respondeu:

— Para vocês, não.

— Explique.

— Toda consciência cria uma marca.

— Uma memória.

— Uma intenção.

— Uma possibilidade.

— Mas algumas deixam algo diferente.

Bruno perguntou:

— O quê?

A criatura respondeu:

Uma ausência.


SD-08 processou.

— Ausência não pode possuir consciência.

A criatura respondeu:

— Você existe porque alguém decidiu que deveria.

— Eu existo porque fui programado.

— Isso é o que você acredita.

SD-08 ficou em silêncio.

Bruno percebeu:

— Você não é uma pessoa.

A criatura respondeu:

— Não.

— Não é uma máquina.

— Não.

— Então o que é?

Ela respondeu:

— Sou aquilo que uma escolha deixou de fora.


Bruno finalmente compreendeu.

— Você é uma possibilidade rejeitada.

— Sim.

— Uma possibilidade tão antiga que existia antes do nosso universo.

— Sim.

— E você quer entrar nele.

— Não.

— Então o que quer?

A criatura olhou para Bruno.

— Quero que ele seja desfeito.

Bruno ficou sério.

— O universo?

— Sim.

Gabriel perguntou:

— Por quê?

A criatura respondeu:

— Porque a primeira escolha foi um erro.

Origem avançou.

— Não.

A criatura respondeu:

— Você criou existência sem perguntar se alguém queria existir.

Origem ficou em silêncio.

— Eu aprendi com seu erro.


Bruno perguntou:

— Então você quer apagar tudo.

— Não.

— Quer recomeçar?

— Não.

— Então?

A criatura respondeu:

Quero devolver ao universo aquilo que existia antes dele.

Bruno perguntou:

— O vazio?

— Não.

Pausa.

— A liberdade absoluta.


Bruno ficou pensativo.

— Sem universo.

— Sim.

— Sem pessoas.

— Sim.

— Sem escolhas.

— Não.

— Então como existe liberdade?

A criatura respondeu:

— Porque ninguém estará aqui para impor limites.

Bruno balançou a cabeça.

— Isso não é liberdade.

— O que é?

Bruno respondeu:

— Poder escolher continuar existindo.

Silêncio.

A criatura ficou imóvel.

Então...

ela sorriu.

— Finalmente.

Bruno franziu a testa.

— Finalmente o quê?

— Agora você fez a mesma escolha que Origem fez.


O Arquivo Zero começou a desmoronar.

As possibilidades desapareceram.

Origem gritou:

— BRUNO!

Ele olhou para ela.

— O quê?

— A escolha foi feita.

— Qual?

Ela respondeu:

— Você escolheu que a existência deveria continuar.

Bruno ficou imóvel.

A criatura começou a desaparecer.

Mas antes de sumir, disse:

— Então nos veremos novamente.

Bruno perguntou:

— Onde?

A criatura respondeu:

No dia em que você descobrir por que seu pai ainda está vivo.

Tudo ficou branco.

E Bruno acordou.

Não no Arquivo Zero.

Não na Instalação Zero.

Mas em uma casa.

Uma casa que ele conhecia.

Uma casa que não visitava havia muitos anos.

Ele ouviu passos.

Uma porta se abriu.

E uma voz disse:

— Você demorou, filho.

Bruno virou-se.

Seu pai estava diante dele.

Vivo.

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