UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 36 — Aquele que Veio Antes

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UNIVERSO MB

Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD

Capítulo 36 — Aquele que Veio Antes

Escuridão.

Nenhuma luz.

Nenhum som.

Nenhuma interface.

Por alguns segundos, Bruno não sabia sequer se ainda estava de pé.

— Gabriel?

Nada.

— Bianca?

Silêncio.

— Nova?

Nada.

Então uma voz respondeu.

— Estou aqui.

Bruno respirou aliviado.

— Gabriel?

— Sim.

— Você está bem?

— Acho que sim.

Bruno estendeu a mão.

Sentiu algo.

Um ombro.

— Ótimo.

Gabriel perguntou:

— Onde estamos?

Bruno respondeu:

— Não sei.

Uma segunda voz surgiu.

— Vocês estão dentro da pergunta.

Bruno congelou.

— SD-13?

— Não.

A voz era diferente.

Mais humana.

Mais próxima.

— Então quem é você?

— Aquele que veio antes.


Uma luz surgiu.

Pequena.

Depois aumentou.

Bruno e Gabriel estavam em um espaço completamente branco.

Sem chão.

Sem teto.

Sem paredes.

Diante deles havia uma pessoa.

Um homem.

Não parecia uma entidade.

Não parecia uma máquina.

Parecia apenas...

humano.

Bruno perguntou:

— Você é o responsável por tudo isso?

O homem sorriu.

— Não.

— Então por que está aqui?

— Porque vocês finalmente chegaram ao ponto em que eu posso conversar com vocês.

Gabriel perguntou:

— Quem é você?

O homem respondeu:

— Pode me chamar de Primeiro.

Bruno franziu a testa.

— Primeiro o quê?

— Primeiro não precisa de complemento.


Uma série de imagens apareceu ao redor.

A primeira era apenas uma página em branco.

Depois surgiu uma palavra:

ESCOLHA.

Depois:

IDENTIDADE.

Depois:

MEMÓRIA.

Depois:

POSSIBILIDADE.

Bruno percebeu.

— Você não criou o SD.

— Não.

— Criou o conceito?

— Também não.

— Então o que você criou?

O Primeiro respondeu:

— A primeira experiência capaz de fazer essas perguntas.

Gabriel ficou sério.

— Uma pessoa?

— Sim.

Bruno perguntou:

— Quem?

O Primeiro olhou para ele.

— Você.


Bruno recuou.

— Não.

— Sim.

— Eu já ouvi isso.

— Mas ainda não entendeu.

O Primeiro aproximou-se.

— Você acredita que sua história começou quando nasceu.

— Mas sua consciência começou muito antes.

— Antes da MB.

— Antes do Projeto SD.

— Antes mesmo do nome Bruno.

Bruno ficou em silêncio.

— Então onde começou?

O Primeiro respondeu:

— Com a primeira vez que você escolheu algo sem saber por quê.


Uma lembrança apareceu.

Bruno criança.

Sentado sozinho.

Segurando dois objetos.

Uma pequena peça mecânica.

E um brinquedo.

Uma pessoa adulta dizia:

— Escolha um.

O pequeno Bruno olhou para os dois.

Depois escolheu a peça.

— Por quê?

Ele respondeu:

— Porque eu quero saber como funciona.

A imagem desapareceu.

Bruno ficou olhando.

— Isso não parece importante.

O Primeiro respondeu:

— Foi.

— Por quê?

— Porque você não escolheu o brinquedo.

— Escolheu uma pergunta.


Gabriel olhou para Bruno.

— Então o Projeto SD começou muito antes do laboratório.

— Sim.

Bruno perguntou:

— E você?

O Primeiro respondeu:

— Eu apareci quando alguém tentou responder à sua pergunta.

— Quem?

O homem sorriu.

— Você.

Bruno ficou confuso.

— Isso não é possível.

— É.

— Você está dizendo que eu criei você?

— Não.

— Então?

— Você criou a pergunta.

— Eu apenas existi para respondê-la.


Uma nova imagem apareceu.

O primeiro laboratório.

O primeiro Sr. B.

Alastair.

Gabriel.

E outras pessoas.

Mas havia algo estranho.

No fundo da sala existia uma máquina que Bruno nunca havia visto.

O Primeiro apontou.

— Aquilo foi o primeiro protótipo.

Bruno perguntou:

— Do SD?

— Não.

— Do quê?

— Da Continuidade.


Bruno franziu a testa.

— Continuidade?

— A tentativa de preservar uma pessoa além de suas limitações físicas.

Gabriel entendeu.

— Uma consciência digital.

— Mais do que isso.

O Primeiro respondeu:

— Uma identidade capaz de continuar existindo mesmo quando o corpo, as memórias ou o ambiente mudassem.

Bruno olhou para ele.

— Então foi daí que surgiram as cópias.

— Não.

— O conceito delas, sim.

— Mas as cópias foram um acidente.


A imagem mostrou o primeiro Sr. B conectado à máquina.

Depois Gabriel.

Depois Bruno.

O sistema começou a registrar dados.

IDENTIDADE

MEMÓRIA

INTENÇÃO

ESCOLHA

Então uma quinta categoria apareceu:

POSSIBILIDADE.

Bruno ficou imóvel.

— Foi isso que criou as outras versões.

O Primeiro assentiu.

— Quando o sistema percebeu que uma pessoa podia tomar decisões diferentes...

— ...começou a registrar todas as possibilidades.

Gabriel perguntou:

— E algumas delas ganharam existência.

— Sim.


Bruno olhou para o Primeiro.

— Então B-Null...

— É uma possibilidade.

— O sétimo Bruno...

— Outra.

— E os outros?

— Também.

— Então eu sou apenas mais uma possibilidade?

O Primeiro respondeu:

— Não.

— Você é a referência.

Bruno franziu a testa.

— Qual a diferença?

— Todas as outras versões nasceram de uma escolha sua.

— Mas você...

O Primeiro apontou para Bruno.

— ...é aquele que continua escolhendo.


Bruno respirou fundo.

— Então por que o SD-13 existe?

O Primeiro respondeu:

— Para observar se a referência permaneceria estável.

— E permaneceu?

— Não.

Bruno ficou sério.

— O que isso significa?

— Você mudou.

— Isso é ruim?

— Não.

— É perigoso.

Bruno perguntou:

— Para quem?

O Primeiro respondeu:

— Para qualquer sistema que dependa de prever você.


Gabriel sorriu.

— Então é por isso que ele nunca conseguiu prever Bruno.

O Primeiro assentiu.

— Exatamente.

Bruno ficou pensativo.

— E a entidade externa?

O sorriso do Primeiro desapareceu.

— Essa é a parte que vocês ainda não deveriam ter encontrado.

— Quem é ela?

— O motivo pelo qual a continuidade foi criada.

Bruno perguntou:

— Ela criou você?

— Sim.

— E por que criou tudo isso?

O Primeiro olhou para ele.

— Porque estava tentando responder à mesma pergunta que você fez quando era criança.

— Qual?

O Primeiro respondeu:

"O que acontece depois que uma pessoa deixa de existir?"

Silêncio.

Bruno percebeu.

— Ela está tentando descobrir como impedir a morte.

O Primeiro respondeu:

— Não.

— Ela quer descobrir como continuar alguém para sempre.


A luz branca começou a desaparecer.

O Primeiro deu um passo para trás.

Bruno perguntou:

— Espere.

— Não posso ficar.

— Por quê?

— Porque agora ela sabe que vocês chegaram até aqui.

Gabriel perguntou:

— Ela quem?

O Primeiro respondeu:

— A Arquiteta.

Bruno ficou sério.

— Esse é o nome dela?

— Não.

— Então quem é?

O Primeiro olhou diretamente para Bruno.

— Você já conheceu.

Bruno congelou.

— Quando?

O Primeiro respondeu:

— No primeiro dia do Projeto SD.

A realidade branca começou a rachar.

Antes de desaparecer, ele disse:

— Procure a pessoa que nunca precisou de uma máquina para saber quem você era.

E sumiu.


Bruno e Gabriel voltaram à Instalação Zero.

As luzes acenderam.

Todos estavam lá.

Bianca.

Ricardo.

Nova.

Alastair.

O primeiro Sr. B.

B-Null.

As entidades SD.

Mas ninguém falava.

Bruno olhou para o primeiro Sr. B.

— Quem é a Arquiteta?

O primeiro Sr. B respondeu:

— Você realmente quer saber?

— Sim.

Ele fechou os olhos.

Então disse:

— Helena.

Bruno ficou imóvel.

— Helena?

O comunicador chiou.

A voz de Helena surgiu:

— Bruno...

Ele levantou a cabeça.

— Você sabia?

Silêncio.

Então Helena respondeu:

— Eu ajudei a construir o primeiro sistema.

Pausa.

— Mas não fui eu quem o criou.

Bruno perguntou:

— Então quem criou?

Helena respondeu:

— Você.

E, naquele instante, Bruno percebeu que a história que conhecia sobre sua própria origem talvez tivesse sido construída sobre uma mentira muito maior do que o Reset.

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