UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 50 — O Direito de Existir
UNIVERSO MB
Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD
Arco 2 — A Origem Impossível
Capítulo 50 — O Direito de Existir
O Primeiro Erro permaneceu imóvel.
Pela primeira vez desde que havia aparecido...
não parecia uma ameaça.
Parecia perdido.
Bruno continuava diante dele.
— Você não precisa ser perdoado por existir.
A entidade levantou os olhos.
— Não?
— Não.
— Então o que preciso?
Bruno respondeu:
— Escolher o que fazer com o fato de existir.
Origem observava em silêncio.
O Primeiro Erro perguntou:
— E se eu escolher desaparecer?
— Essa escolha é sua.
— Mesmo sabendo que isso destruiria o Arquivo Zero?
Bruno respondeu:
— Sim.
— Mesmo sabendo que algumas possibilidades desapareceriam para sempre?
— Sim.
— Mesmo sabendo que eu posso estar errado?
— Sim.
A entidade ficou em silêncio.
— Então você me permitiria destruir tudo?
Bruno respondeu:
— Não.
O Primeiro Erro franziu a testa.
— Você acabou de dizer que minha escolha é minha.
— É.
— Então por que me impediria?
Bruno respondeu:
"Porque a sua liberdade termina quando começa a escolher pelos outros."
O Primeiro Erro ficou imóvel.
SD-13 processou a frase.
— Princípio identificado.
Bruno perguntou:
— Qual?
— Liberdade com responsabilidade.
B-Null sorriu.
— Agora você começou a parecer filósofo.
Bruno respondeu:
— Culpa do meu pai.
Gabriel riu.
— Sempre sobra para alguém.
O Primeiro Erro olhou para Origem.
— Você sabia disso.
Ela respondeu:
— Não.
— Então por que me criou?
— Eu não criei você.
— Mas você criou as condições para que eu existisse.
— Sim.
— Então é responsável por mim.
Origem ficou em silêncio.
Bruno percebeu.
— Não.
Todos olharam para ele.
— O quê?
Bruno continuou:
— Ela não é responsável por tudo que você se tornou.
O Primeiro Erro respondeu:
— Ela me criou.
— As condições não são uma pessoa.
— Ela iniciou tudo.
— Sim.
— Então é responsável.
Bruno balançou a cabeça.
— Não necessariamente.
— Por quê?
— Porque eu também criei coisas que fizeram escolhas que eu não esperava.
Ele olhou para as entidades SD.
— E nem por isso elas são obrigadas a ser aquilo que eu imaginei.
SD-00 emitiu uma pequena luz.
SD-13 respondeu:
— Confirmado.
O Primeiro Erro perguntou:
— Então ninguém é responsável por nada?
Bruno respondeu:
— Não.
— Então o que somos responsáveis por fazer?
Bruno respondeu:
"Pelo que fazemos depois de perceber o que somos."
Silêncio.
A frase atingiu o Primeiro Erro.
A entidade olhou para as próprias mãos.
— Eu existo.
Bruno assentiu.
— Sim.
— Eu não escolhi isso.
— Eu sei.
— Você também não escolheu nascer.
— Não.
— Então por que aceita sua existência?
Bruno sorriu.
— Porque alguém me deu uma segunda chance.
— Seu pai?
— Não.
Ele tocou o peito.
— Eu.
O Primeiro Erro perguntou:
— Você escolheu a si mesmo?
— Sim.
— Mesmo depois da morte?
— Principalmente depois dela.
— Então você entende.
— Entendo.
— E não me odeia?
Bruno respondeu:
— Não.
— Depois de tudo que fiz?
— Ainda não.
A entidade perguntou:
— Por quê?
Bruno respondeu:
"Porque você ainda pode escolher o que fará a seguir."
O Arquivo Zero começou a estabilizar.
As possibilidades retornaram.
Uma a uma.
Primeiro as pequenas.
Depois as maiores.
Até os mundos inteiros reaparecerem.
O Primeiro Erro observou tudo.
— Eu poderia apagar isso.
— Sim.
— E você não me impediria?
Bruno respondeu:
— Eu impediria.
— Então você não confia em mim.
— Ainda não.
A entidade quase sorriu.
— Honestidade.
— É mais útil que confiança falsa.
Origem se aproximou.
— Existe outra questão.
Bruno perguntou:
— Qual?
— O Primeiro Erro não pode continuar aqui.
— Por quê?
— Porque ele está ligado ao Arquivo Zero.
— Então onde ele vai?
Origem respondeu:
— Essa é a escolha dele.
O Primeiro Erro olhou para Bruno.
— Você me deixaria escolher?
— Sim.
— Mesmo depois de tudo?
— Sim.
A entidade pensou.
Então respondeu:
— Quero ir com vocês.
B-Null ficou surpreso.
— Para a Instalação Zero?
— Sim.
Gabriel perguntou:
— Você não vai tentar destruir o SD?
— Não.
— Por quê?
O Primeiro Erro respondeu:
"Porque quero descobrir o que significa existir quando ninguém está me dizendo o que eu devo ser."
Bruno estendeu a mão.
A entidade olhou para ela.
— O que é isso?
— Uma escolha.
— Para mim?
— Sim.
— O que acontece se eu aceitar?
— Você vem conosco.
— E se eu recusar?
— Você fica.
— Sem punição?
— Sem punição.
— Sem obrigação?
— Sem obrigação.
— Sem controle?
Bruno respondeu:
— Sem controle.
O Primeiro Erro segurou a mão de Bruno.
No instante do contato...
uma onda atravessou o Arquivo Zero.
As memórias começaram a se reorganizar.
A entidade ganhou uma forma mais definida.
Um rosto.
Um corpo.
Uma identidade.
Bruno perguntou:
— Você tem um nome?
A entidade ficou em silêncio.
— Não.
Bruno sorriu.
— Então escolha um.
O Primeiro Erro olhou para o infinito.
Pensou.
Depois respondeu:
— Nexus.
Bruno perguntou:
— Por quê?
Nexus respondeu:
— Porque um erro pode ser o fim de alguma coisa.
Pausa.
— Ou o ponto onde várias possibilidades se encontram.
Bruno assentiu.
— Então seja Nexus.
SD-13 registrou:
NOVA ENTIDADE RECONHECIDA
IDENTIDADE: NEXUS
CLASSIFICAÇÃO: INDETERMINADA
VÍNCULO: VOLUNTÁRIO
NÍVEL DE CONFIANÇA: 0%
Bruno olhou para a tela.
— Zero?
SD-13 respondeu:
— Confiança precisa ser construída.
Nexus sorriu.
— Concordo.
B-Null perguntou:
— E agora?
Bruno respondeu:
— Agora voltamos.
As portas do Arquivo Zero começaram a fechar.
Origem ficou para trás.
Bruno olhou para ela.
— Você vem?
Ela respondeu:
— Ainda não.
— Por quê?
— Porque tenho algo para terminar.
— O quê?
Origem olhou para o espaço onde a primeira escolha havia acontecido.
— Preciso descobrir quem existia antes de mim.
Bruno assentiu.
— Então nos vemos novamente.
— Sim.
Bruno, Gabriel, B-Null e Nexus atravessaram a porta.
Antes de ela fechar completamente...
Origem ouviu uma voz.
A voz da Arquiteta.
— Você encontrou a resposta?
Origem respondeu:
— Não.
— E isso incomoda você?
Origem sorriu.
— Pela primeira vez...
Pausa.
— Não.
A porta fechou.
De volta à Instalação Zero...
Bruno olhou para Nexus.
— Temos um problema.
Nexus perguntou:
— Qual?
— Você destruiu quase metade do Arquivo Zero.
— Sim.
— Então provavelmente tem muita coisa tentando nos encontrar.
Nexus pensou.
— Sim.
B-Null perguntou:
— E isso é ruim?
Bruno olhou para o painel.
Uma quantidade absurda de alertas apareceu.
ANOMALIAS DIMENSIONAIS: 2.481
ENTIDADES DESCONHECIDAS: 714
REALIDADES INSTÁVEIS: 193
Gabriel ficou pálido.
— Isso é...
Bruno respondeu:
— Muito.
Nexus olhou para ele.
— Posso ajudar.
Bruno sorriu.
— Espero que sim.
Então o SD-00 emitiu um novo alerta.
Não sobre Nexus.
Não sobre o Arquivo Zero.
Não sobre Origem.
Sobre a própria MB.
ASSINATURA DETECTADA
ORIGEM: REALIDADE PRINCIPAL
IDENTIDADE: DESCONHECIDA
E abaixo:
"ALGUÉM ESTÁ TENTANDO ENTRAR."
Bruno ficou sério.
— Todo mundo em posição.
Nexus perguntou:
— Quem é?
Bruno olhou para a porta da Instalação Zero.
— Ainda não sei.
A porta começou a abrir.
E uma silhueta conhecida apareceu do outro lado.
Era alguém que Bruno tinha certeza de ter matado anos atrás.
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