UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 47 — Os 17%
UNIVERSO MB
Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD
Arco 2 — A Origem Impossível
Capítulo 47 — Os 17%
Bruno permaneceu imóvel.
A voz do pai ainda ecoava dentro de sua cabeça.
— Eu sou os 17% que você nunca perdeu.
B-Null observava.
— O que aconteceu?
Bruno respondeu:
— Meu pai.
Gabriel aproximou-se.
— Ele falou novamente?
— Sim.
— Onde?
Bruno apontou para si mesmo.
— Aqui.
SD-13 tentou analisar Bruno.
ANÁLISE DE CONSCIÊNCIA INICIADA.
Bruno perguntou:
— Consegue encontrá-lo?
Silêncio.
— SD-13?
— Não.
— Por quê?
— Porque não existe uma assinatura independente.
Bruno franziu a testa.
— Então ele não está dentro de mim?
SD-13 respondeu:
— Está.
— Mas não consigo detectá-lo.
— Porque ele não está armazenado como informação.
Bruno ficou sério.
— Então como?
SD-13 respondeu:
"Como escolha."
Gabriel entendeu.
— Seu pai não deixou uma memória.
— Deixou uma decisão.
Bruno olhou para ele.
— Qual?
Gabriel respondeu:
— A decisão de continuar.
Bruno ficou em silêncio.
B-Null perguntou:
— Então esses 17% são o quê?
SD-13 respondeu:
— A parte de Bruno que não pode ser reproduzida.
— Por quê?
— Porque não é um dado.
— É uma ação.
Bruno caminhou pelo Arquivo Zero.
Milhares de possibilidades passavam ao seu redor.
Ele viu versões suas que escolheram caminhos diferentes.
Uma virou cientista.
Outra nunca conheceu a MB.
Outra morreu muito jovem.
Outra nunca criou o SD.
Outra se tornou exatamente aquilo que a Arquiteta queria.
Bruno observou.
— Todas essas versões poderiam ter sido eu.
B-Null respondeu:
— Sim.
— Mas nenhuma é.
— Não.
Bruno perguntou:
— Então o que nos diferencia?
B-Null respondeu:
— A escolha que veio depois.
Uma memória apareceu.
Bruno criança novamente.
Seu pai estava diante dele.
Mas dessa vez a conversa continuou.
— Se algum dia você esquecer quem é...
O pequeno Bruno perguntou:
— O que eu faço?
Seu pai respondeu:
— Não procure uma resposta.
— Então o quê?
— Faça uma escolha.
— Qual?
O pai sorriu.
— A sua.
A memória desapareceu.
Bruno ficou parado.
— Agora entendi.
Gabriel perguntou:
— O quê?
— Meu pai não deixou uma parte dele para me controlar.
— Então para quê?
— Para garantir que, mesmo se todas as minhas memórias desaparecessem...
Ele tocou o peito.
— ...eu ainda pudesse escolher.
B-Null ficou pensativo.
— Então ele não está dentro de você.
Bruno respondeu:
— Não.
— Está em cada escolha que você faz.
— Exatamente.
B-Null sorriu.
— Isso é muito mais difícil de destruir.
De repente...
o Arquivo Zero ficou completamente silencioso.
Todas as possibilidades desapareceram.
Bruno olhou ao redor.
— O que aconteceu?
SD-13 respondeu:
— Algo está bloqueando o sistema.
Gabriel perguntou:
— A criatura?
— Não.
— Então quem?
Uma voz surgiu.
— Eu.
Bruno virou-se.
A Arquiteta apareceu dentro do Arquivo Zero.
Bruno ficou surpreso.
— Como você entrou?
— Eu não entrei.
Ela olhou ao redor.
— Eu sempre estive aqui.
B-Null ficou em posição de combate.
— Não.
A Arquiteta respondeu:
— Não vim lutar.
Bruno perguntou:
— Então por quê?
— Para impedir que você descubra uma coisa cedo demais.
— Qual?
Ela olhou diretamente para ele.
— Os 17% não pertencem ao seu pai.
Bruno ficou imóvel.
— O quê?
— Seu pai acreditava que estava deixando uma parte dele com você.
— Mas não estava.
— Não.
— Então o que ele deixou?
A Arquiteta respondeu:
A possibilidade de você se tornar alguém que ele nunca conseguiu ser.
Bruno ficou em silêncio.
— Meu pai não está dentro de mim.
— Não.
— Então o que ouvi?
— A memória da intenção dele.
— E os 17%?
— São seus.
Bruno ficou confuso.
— Sempre foram.
A Arquiteta continuou:
— O sistema precisava de uma âncora para reconstruir você.
— As memórias eram insuficientes.
— A personalidade era insuficiente.
— O DNA era insuficiente.
— Então seu pai fez a única coisa que podia.
— O quê?
— Ele acreditou em você.
Bruno baixou a cabeça.
B-Null perguntou:
— E isso virou os 17%?
A Arquiteta respondeu:
— Sim.
— Uma crença?
— Uma escolha.
— Uma intenção.
— Um vínculo.
— Uma coisa que nenhuma máquina consegue reproduzir.
SD-13 completou:
"Autonomia."
Bruno levantou a cabeça.
— Então os 17% não são meu pai.
— Não.
— São a parte de mim que nunca foi reconstruída.
— Exatamente.
— A parte que escolhe.
A Arquiteta assentiu.
— Sim.
Bruno sorriu.
— Então finalmente sei quem eu sou.
Gabriel perguntou:
— Quem?
Bruno respondeu:
"Não sou o original."
Pausa.
"Não sou uma cópia."
"Sou a escolha que continuou."
O Arquivo Zero começou a tremer.
A Arquiteta ficou séria.
— Agora você está pronto.
Bruno perguntou:
— Para quê?
Ela olhou para o fundo do Arquivo.
— Para encontrar aquilo que realmente matou você.
Bruno ficou imóvel.
— Você disse que meu corpo morreu.
— Sim.
— Então o que mais morreu?
A Arquiteta respondeu:
— A sua primeira escolha.
Gabriel perguntou:
— Como uma escolha pode morrer?
A Arquiteta respondeu:
— Quando alguém decide por você.
Uma porta surgiu.
Diferente das anteriores.
Nela havia apenas uma palavra:
RESET
Bruno ficou olhando.
— Eu preciso entrar.
B-Null respondeu:
— Talvez.
Bruno olhou para ele.
— Você não vem?
B-Null balançou a cabeça.
— Não.
— Por quê?
— Porque essa parte é sua.
Gabriel também parou.
— Nós esperamos aqui.
Bruno sorriu.
— Obrigado.
Ele colocou a mão na porta.
Antes de abrir...
a voz do pai surgiu novamente:
— Filho.
Bruno fechou os olhos.
— Sim?
— Se você abrir essa porta...
Pausa.
— ...vai lembrar de tudo.
Bruno perguntou:
— E você?
— Eu vou desaparecer.
Bruno ficou imóvel.
— Então não vou abrir.
A voz respondeu:
— Vai.
— Por quê?
— Porque eu não quero ser a razão pela qual você deixa de descobrir a verdade.
Bruno respirou fundo.
— Adeus, pai.
A voz respondeu:
"Não. Desta vez, escolha sem precisar de mim."
Bruno abriu a porta.
Do outro lado...
estava o dia da sua morte.
E, pela primeira vez...
Bruno viu quem realmente apertou o botão do Reset.
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