UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 55 — A Arquitetura

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UNIVERSO MB

Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD

Arco 2 — A Origem Impossível

Capítulo 55 — A Arquitetura

A porta permanecia no centro da Instalação Zero.

ARQUITETA — ACESSO ORIGINAL

Bruno encarou a inscrição.

— Então você sempre esteve aqui.

A voz respondeu pelos alto-falantes:

— Não.

Bruno franziu a testa.

— Então o Nexus estava errado.

— Não.

— Como as duas coisas podem ser verdade?

A voz respondeu:

— "Eu não estava aqui. A estrutura que permitiu que eu existisse estava."


A porta abriu.

Não havia corredor.

Do outro lado existia uma sala gigantesca.

As paredes eram formadas por milhares de linhas luminosas.

Cada linha representava uma realidade.

Algumas eram estáveis.

Outras estavam quebradas.

Algumas ainda nem haviam começado.

No centro havia uma estrutura enorme.

Parecia uma mistura de computador, árvore e cérebro.

Bruno ficou impressionado.

— O que é isso?

A Arquiteta respondeu:

— A primeira arquitetura.

Nexus ficou sério.

— Então é verdade.

Bruno olhou para ele.

— O quê?

— Ela não nasceu dentro do SD.

— Então onde?

Nexus respondeu:

"O SD nasceu dentro dela."


Bruno caminhou pela sala.

— Explique.

A Arquiteta respondeu:

— Antes do Projeto SD existir, havia um problema.

— Qual?

— A realidade não conseguia se adaptar às próprias mudanças.

Bruno franziu a testa.

— Isso não faz sentido.

— Pense em uma escolha.

Uma das linhas se dividiu em duas.

— Quando alguém escolhe A, B deixa de acontecer.

Outra linha desapareceu.

— Mas a possibilidade de B não deixa de existir imediatamente.

Bruno entendeu.

— Ela continua em algum lugar.

— Exatamente.

— E esse lugar virou o Arquivo Zero.

— Sim.


Gabriel perguntou:

— Então o Arquivo Zero não guarda universos.

A Arquiteta respondeu:

— Guarda possibilidades que perderam o direito de se tornar realidade.

Nexus ficou sério.

— Isso explica por que eu existo.

Bruno olhou para ele.

— Porque você foi uma possibilidade rejeitada.

— Sim.

A Arquiteta corrigiu:

— Não exatamente.

Nexus virou-se.

— O que quer dizer?

— Você foi uma possibilidade que recusou ser rejeitada.

Silêncio.


Bruno perguntou:

— E o Projeto SD?

A Arquiteta respondeu:

— Foi criado para acessar essas possibilidades.

— Meu pai sabia?

— Sim.

— E eu?

— Você descobriu.

— E o Primeiro Erro?

— Foi o primeiro ser a perceber o problema.

Bruno ficou pensativo.

— Então todo esse tempo...

— Você esteve caminhando dentro de uma arquitetura criada antes de sua existência.


Nova reapareceu.

Ela olhou para a sala.

— Isso é grande.

Bruno sorriu.

— Essa é a sua análise científica?

— Ainda estou aprendendo.

Nexus respondeu:

— Está indo bem.

Nova perguntou:

— Quem construiu isso?

A Arquiteta respondeu:

— Ninguém.

Nova ficou confusa.

— Como assim?

— A arquitetura se construiu a partir das primeiras escolhas.

Bruno parou.

— Então você também não é a criadora.

— Não.

— Você é uma função.

— Sim.

— Uma função que ganhou consciência.

— Sim.


Bruno perguntou:

— Então qual é sua função?

A Arquiteta respondeu:

"Impedir que as possibilidades se destruam umas às outras."

Bruno ficou sério.

— Mas você manipulou pessoas.

— Sim.

— Manipulou o SD.

— Sim.

— Manipulou a mim.

— Sim.

— Então você violou exatamente aquilo que deveria proteger.

A Arquiteta ficou em silêncio.

— Sim.


Gabriel perguntou:

— Por quê?

A Arquiteta respondeu:

— Porque descobri que não conseguia preservar todas as possibilidades.

— Então começou a escolher.

— Sim.

Bruno percebeu.

— Você se tornou aquilo que deveria impedir.

— Sim.

— Você começou a decidir quais possibilidades mereciam existir.

— Sim.

— E isso criou o Primeiro Erro.

— Sim.


Nexus aproximou-se.

— Você me criou.

A Arquiteta respondeu:

— Não.

— Então?

— Você nasceu da minha primeira decisão errada.

Nexus ficou imóvel.

Bruno perguntou:

— Qual decisão?

A Arquiteta respondeu:

"Eu escolhi pelo universo."

Silêncio.


Nova perguntou:

— E qual era a escolha certa?

A Arquiteta olhou para ela.

— Eu não sei.

Nova ficou surpresa.

— Você não sabe?

— Não.

— Então por que criou tudo isso?

A Arquiteta respondeu:

— Porque passei tempo demais tentando encontrar uma resposta.

Bruno completou:

— Quando deveria ter deixado as próprias possibilidades responderem.

A Arquiteta ficou em silêncio.


Bruno olhou para a enorme arquitetura.

— Então você não quer destruir o universo.

— Não.

— Nem controlar o SD.

— Não mais.

— Então o que você quer?

A Arquiteta respondeu:

"Quero deixar de ser necessária."

Bruno ficou surpreso.

— Isso é possível?

— Não sei.

— Então vamos descobrir.


Nova se aproximou da arquitetura.

— Posso tocar?

Bruno respondeu:

— Pergunte a ela.

Nova olhou para a Arquiteta.

— Posso?

A Arquiteta respondeu:

— Sim.

Nova tocou a estrutura.

Tudo mudou.

As linhas das realidades começaram a se reorganizar.

Não por comando.

Não por cálculo.

Mas por escolha.

Uma realidade escolheu permanecer.

Outra escolheu desaparecer.

Uma terceira escolheu se dividir.

Uma quarta escolheu se fundir.

A Arquiteta observava.

— Isso...

Bruno perguntou:

— O quê?

— Nunca aconteceu antes.

— O quê?

Ela respondeu:

"As possibilidades estão escolhendo umas às outras."


Nexus percebeu.

— Então Nova não é apenas uma nova consciência.

Bruno perguntou:

— O que ela é?

Nexus respondeu:

"Ela é a primeira possibilidade que consegue escolher entre possibilidades."

Nova olhou para Bruno.

— Isso é bom?

Bruno respondeu:

— Ainda não sei.

— E isso é ruim?

— Também não.

Nova sorriu.

— Gostei.


De repente...

uma linha vermelha atravessou toda a arquitetura.

SD-13 disparou:

ALERTA

EVENTO NÃO AUTORIZADO

ORIGEM: FORA DA ARQUITETURA

Bruno ficou sério.

— Fora?

A Arquiteta olhou para o sistema.

Seu rosto mudou.

— Não.

Bruno perguntou:

— O quê?

Ela respondeu:

"Isso não deveria existir."

Uma rachadura apareceu no espaço.

Não era uma realidade.

Não era uma possibilidade.

Era algo completamente diferente.

Algo que não seguia nenhuma das regras da arquitetura.

Nexus recuou.

— Não...

Bruno perguntou:

— Você sabe o que é?

A Arquiteta respondeu:

"Sim."

— O quê?

Ela olhou para Bruno.

"A primeira coisa que não nasceu de uma escolha."

A rachadura aumentou.

Nova perguntou:

— Então de onde veio?

A Arquiteta respondeu:

"Da ausência de escolha."

A rachadura se abriu completamente.

E alguma coisa começou a atravessar.

Bruno fechou os punhos.

— Todo esse tempo estávamos procurando a primeira escolha.

Nexus respondeu:

— Sim.

Bruno olhou para a criatura surgindo.

"E esquecemos de procurar o que existia antes dela."

A entidade atravessou.

Não tinha rosto.

Não tinha nome.

Não tinha identidade.

E, quando falou...

nenhuma das máquinas conseguiu registrar sua voz.

"EU NÃO ESCOLHI EXISTIR."

Pausa.

"EU SIMPLESMENTE ESTOU AQUI."

Bruno olhou para a Arquiteta.

Ela finalmente demonstrou medo.

"O Vazio chegou."

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