UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 7 — O Inimigo Observa
UNIVERSO MB
Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD
Capítulo 7 — O Inimigo Observa
A chuva havia diminuído.
Mas ninguém estava com vontade de voltar para casa.
Bruno e Bianca estavam sentados dentro do carro, estacionado em uma rua distante da antiga instalação.
Durante vários minutos, nenhum dos dois disse uma palavra.
O silêncio era quebrado apenas pelo som dos limpadores de para-brisa.
Bianca finalmente olhou para o braço de Bruno.
A marca ainda estava ali.
SD-00.
SINCRONIZAÇÃO: 3%.
— Isso vai desaparecer?
— Provavelmente.
— "Provavelmente" não é uma resposta muito boa.
— É a resposta mais honesta que tenho.
Bianca cruzou os braços.
— Você percebe que acabou de ser conectado a uma tecnologia que ninguém entende?
— Sim.
— Uma tecnologia que aparentemente consegue acessar dados de fora da instalação.
— Sim.
— E que agora está armazenada no seu corpo.
Bruno olhou para ela.
— Tecnicamente, não está armazenada no meu corpo.
— Ah.
Ela apontou para a marca.
— Então isso é decoração?
Bruno quase sorriu.
Quase.
— Vamos descobrir.
Bianca ficou séria novamente.
— Não.
— Não?
— Não vamos simplesmente "descobrir".
Ela abriu o porta-luvas e retirou um pequeno computador.
— Vamos investigar.
Bruno observou o equipamento.
— Você trouxe isso?
— Eu trouxe três.
— Por quê?
— Porque conheço você.
Ela ligou o primeiro.
Depois o segundo.
Depois o terceiro.
— E porque sabia que, cedo ou tarde, você faria alguma coisa estúpida.
— Isso reduz bastante minhas opções.
— Essa é a ideia.
Uma hora depois, os três computadores exibiam os mesmos resultados.
Nenhum.
Bianca recostou-se no banco.
— Nada.
Bruno observou os registros.
— Não exatamente.
— Encontrou alguma coisa?
— O contrário.
— Como assim?
Ele apontou para a tela.
— O sistema apagou os próprios rastros.
Bianca se inclinou.
— Isso é possível?
— Para uma máquina comum, não.
— E para o SD?
Bruno ficou em silêncio.
— Aparentemente, sim.
Ela desligou um dos computadores.
— Então precisamos de outra fonte.
Bruno olhou pela janela.
— Conheço alguém.
Bianca imediatamente respondeu:
— Não.
— Você nem sabe quem.
— Se você começou com "conheço alguém", provavelmente é alguém que deveríamos evitar.
— Ela pode nos ajudar.
— Ela pode nos matar.
— As duas coisas não são incompatíveis.
Bianca suspirou.
— Quem?
Bruno demorou alguns segundos.
— Uma antiga engenheira da MB.
Bianca ficou imóvel.
— Pensei que ela tivesse desaparecido.
— Também pensei.
— Você sabe onde ela está?
Bruno ligou o carro.
— Agora sei.
Em outro lugar...
Uma sala pequena.
Uma parede inteira coberta por monitores.
O mesmo vídeo era reproduzido repetidamente.
Bruno entrando na instalação.
Bianca ao lado dele.
O SD-00 despertando.
A adaptação.
A fuga.
Um homem estava sentado diante das telas.
Ele assistia sem piscar.
Uma mulher entrou na sala.
— Temos confirmação.
— Eu sei.
— A sincronização foi muito rápida.
— Não.
O homem pausou a gravação.
Voltou alguns segundos.
Bruno aparecia tocando o painel.
A marca surgia em seu braço.
O homem ampliou a imagem.
— Isso não deveria acontecer.
— O quê?
— A velocidade.
A mulher aproximou-se.
— Qual era a previsão?
— Menos de um por cento.
— E tivemos três.
— Em minutos.
Ele ficou pensativo.
— O sistema reconheceu alguma coisa.
— O quê?
O homem não respondeu.
Em vez disso, abriu um arquivo.
Uma fotografia antiga apareceu.
Nela havia vários integrantes da MB.
Mais jovens.
Mais despreocupados.
E no centro...
Bruno.
Ao lado dele estava uma quarta pessoa.
O homem tocou na fotografia.
— Talvez ele não esteja despertando o SD.
A mulher franziu a testa.
— Então o que está acontecendo?
Ele respondeu:
— Talvez o SD esteja lembrando dele.
O carro parou diante de uma pequena oficina.
Nenhuma placa.
Nenhuma identificação.
Bianca olhou pela janela.
— Aqui?
— Aqui.
— Você tem certeza?
— Tenho.
Bruno saiu do carro.
Bateu três vezes na porta.
Esperou.
Bateu mais duas.
Nada.
Bianca olhou para ele.
— Talvez ela não esteja.
— Está.
— Como sabe?
— Porque está nos observando.
Bianca virou-se.
Uma câmera estava escondida acima da porta.
— Ótimo.
A porta abriu.
Uma mulher apareceu.
Cabelos grisalhos.
Óculos.
Macacão de trabalho.
Ela olhou primeiro para Bianca.
Depois para Bruno.
Seu rosto perdeu a cor.
— Você...
Bruno assentiu.
— Faz tempo.
Ela não respondeu.
Apenas abriu mais a porta.
— Entrem.
Os dois entraram.
A mulher fechou a porta imediatamente.
— Vocês não deveriam ter voltado.
Bruno olhou para ela.
— Nós não voltamos.
Ela encarou a marca em seu braço.
E entendeu.
— O Projeto encontrou você.
Bruno ficou em silêncio.
— Não — respondeu finalmente.
Ela balançou a cabeça.
— Não tente me convencer.
A mulher se aproximou.
Observou a marca.
Seu olhar mudou.
— Três por cento...
Bianca perguntou:
— Você sabe o que significa?
A mulher não respondeu.
Bruno insistiu:
— Você sabe o que é o SD-00?
Ela fechou os olhos.
— Sei.
— Então conte.
— Não posso.
— Por quê?
Ela abriu os olhos.
— Porque fui eu quem construiu a primeira versão.
Silêncio.
Bianca ficou imóvel.
Bruno deu um passo à frente.
— Quem é você?
A mulher respondeu:
— Meu nome é Helena.
Ela olhou novamente para a marca.
— E, se o Projeto escolheu você...
Fez uma pausa.
— ...então temos um problema muito maior do que imaginávamos.
Bruno perguntou:
— Qual?
Helena olhou para a porta.
— Porque o SD-00 não foi criado para encontrar um usuário.
Ela encarou Bruno.
— Foi criado para encontrar o usuário original.
Antes que Bruno pudesse responder, todas as luzes da oficina se apagaram.
Helena ficou imóvel.
— Não.
Bianca sacou a lâmina.
— O quê?
Helena caminhou até uma janela.
Olhou para a rua.
Três carros haviam parado diante da oficina.
— Eles nos encontraram.
Bruno ficou ao lado dela.
— Quem?
Helena respondeu baixinho:
— A organização que eu passei oito anos tentando esquecer.
No primeiro carro, uma porta se abriu.
Um homem saiu.
Retirou a máscara.
Bruno reconheceu o rosto.
Seu coração parou por um instante.
— Não pode ser...
Bianca olhou para ele.
— Você conhece?
Bruno não respondeu.
O homem sorriu do outro lado da rua.
E levantou a mão.
Na palma havia uma pequena cápsula.
SD-01.
Helena empalideceu.
— Eles já chegaram à segunda versão.
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