UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 4 — O Roubo

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UNIVERSO MB

Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD

Capítulo 4 — O Roubo

A chuva começou antes que Bruno e Bianca chegassem à antiga instalação central.

Era uma chuva fina, constante.

Daquelas que transformavam as ruas em espelhos e faziam qualquer cidade parecer diferente durante a noite.

Bruno estacionou o carro a algumas centenas de metros do endereço.

Bianca olhou pela janela.

— Você tem certeza de que é aqui?

— As coordenadas não mentem.

— Pessoas mentem.

— Por isso eu confio mais nas coordenadas.

Bianca soltou uma risada curta.

— Você continua insuportável.

— Você continua aqui.

— Infelizmente.

Os dois saíram do carro.

A instalação ficava escondida sob um antigo complexo industrial abandonado.

Não havia placas.

Não havia câmeras visíveis.

Não havia qualquer sinal de atividade.

Mas Bruno percebeu algo imediatamente.

— A porta foi aberta.

Bianca olhou.

— Como sabe?

— Não há ferrugem na fechadura.

Ela se aproximou.

Passou o dedo pela superfície metálica.

— Tem razão.

Bruno olhou para o relógio.

— Entraram há pouco tempo.

— Então estamos atrasados.

— Não.

Ele encarou a entrada.

— Estamos exatamente na hora.


A porta se abriu com facilidade.

O interior estava completamente escuro.

Bianca ligou uma pequena lanterna.

As paredes estavam cobertas por cabos antigos.

Alguns equipamentos permaneciam espalhados pelo chão.

A instalação parecia abandonada.

Mas havia algo errado.

Nenhuma poeira sobre a entrada.

Nenhuma teia de aranha.

Alguém estivera ali recentemente.

Bruno caminhou lentamente.

— Não toque em nada.

Bianca levantou uma sobrancelha.

— Você sabe que isso nunca funcionou comigo.

— Eu sei.

Continuaram avançando.

Até encontrarem uma sala enorme.

No centro havia um equipamento cilíndrico conectado a dezenas de cabos.

Bianca parou.

— O que é isso?

Bruno não respondeu.

Aproximou-se.

Reconhecia aquele equipamento.

— Era um protótipo.

— Do Projeto SD?

— Não.

Ele tocou o painel.

Uma luz azul acendeu.

— Era usado para armazenar dados.

Bianca observou os cabos.

— Dados sobre o quê?

Bruno olhou para ela.

— Tudo.


Um som metálico veio do fundo da sala.

Os dois se viraram.

Nada.

Bruno caminhou até a parede.

Encontrou uma pequena abertura.

Dentro havia uma unidade de armazenamento.

Ele retirou o dispositivo.

Bianca aproximou-se.

— Isso é importante?

— Muito.

— Então vamos embora.

Bruno não respondeu.

— Bruno?

Ele examinava o dispositivo.

— Está vazio.

Bianca franziu a testa.

— Vazio?

— Apagaram tudo.

— Então alguém chegou antes de nós.

Bruno assentiu.

— E sabia exatamente o que procurar.


Do outro lado da instalação, uma porta se fechou.

Bianca ouviu.

— Não estamos sozinhos.

Bruno guardou o dispositivo.

— Eu sei.

— Quantos?

Ele olhou para o corredor.

— Não sei.

— Isso normalmente significa muitos.

— Dessa vez significa três.

Bianca sorriu.

— Melhor.

As luzes se apagaram.

Três pontos vermelhos apareceram no corredor.

Lasers.

Bruno puxou Bianca para trás.

Disparos atravessaram a sala.

Os dois correram.

Não estavam tentando vencer.

Estavam tentando chegar ao centro da instalação.

Porque Bruno havia percebido uma coisa.

Os invasores não estavam procurando por eles.

Estavam fugindo de alguma coisa.


A perseguição terminou diante de uma enorme porta circular.

Bruno colocou a mão sobre o painel.

Nada.

Bianca olhou para ele.

— Alguma ideia?

— Algumas.

— Alguma boa?

— Nenhuma.

Um ruído surgiu atrás deles.

Os três invasores estavam chegando.

Bianca preparou a lâmina.

Bruno observou a porta.

Então percebeu algo.

Havia uma pequena marca gravada no metal.

O símbolo.

Mas diferente.

Agora havia quatro linhas.

Bianca viu também.

— Esse símbolo...

— Não estava nos arquivos.

— Então quem colocou?

Bruno passou os dedos sobre a gravação.

— Não foi colocado.

Ele olhou para a porta.

— Foi removido.

Antes que Bianca pudesse perguntar o que aquilo significava, a porta começou a abrir.

Sozinha.

Um vento frio atravessou o corredor.

Do outro lado havia uma sala completamente vazia.

Exceto por uma única estrutura no centro.

Um pedestal.

Sobre ele, uma pequena cápsula metálica.

Bianca ficou imóvel.

— É isso?

Bruno entrou.

— Não.

Ele se aproximou.

A cápsula não tinha o símbolo da MB.

Não tinha identificação.

Apenas uma inscrição.

SD-00.

Bruno parou.

— Isso não existia.

Bianca olhou para ele.

— O que significa?

— Significa que alguém criou uma versão antes da versão que conhecemos.

Ela ficou em silêncio.

Bruno pegou a cápsula.

No instante em que seus dedos tocaram o metal...

todas as luzes da instalação acenderam.

Uma voz feminina ecoou pelos alto-falantes.

Calma.

Sem emoção.

Usuário reconhecido.

Bruno congelou.

Bianca olhou para ele.

— Usuário?

A voz continuou:

Identidade confirmada. Bruno Ricardo.

Bruno apertou a cápsula.

— Desative o sistema.

Negado.

— Eu sou o administrador.

Silêncio.

Então:

Correção.

A voz mudou.

Você foi o administrador.

Bianca olhou para Bruno.

Pela primeira vez desde que se reencontraram, ela parecia realmente assustada.

A voz continuou:

Protocolo de sucessão iniciado.

Um compartimento se abriu no pedestal.

Dentro havia uma pequena peça metálica.

Parecia uma chave.

Bruno a observou.

E reconheceu.

Ele havia visto aquela chave antes.

Oito anos atrás.

No dia em que a MB caiu.

— Não...

Bianca aproximou-se.

— Bruno, o que foi?

Ele não respondeu.

Porque naquele momento percebeu algo muito pior.

A instalação não havia sido invadida para roubar o Projeto SD.

Ela havia sido invadida para ativá-lo.


Em algum lugar distante, um homem observava os mesmos acontecimentos através de uma tela.

O relatório apareceu:

SD-00: ATIVO.

Ele sorriu.

— Finalmente.

Uma segunda mensagem surgiu.

SUCESSOR IDENTIFICADO.

O homem permaneceu em silêncio.

Então respondeu:

— Comecem a segunda fase.

A tela apagou.

E, no fundo da instalação, alguma coisa começou a se mover. 

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