UNIVERSO MB Temporada 1 – O Despertar do Projeto SD Capítulo 1 – O Último Dia Comum

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UNIVERSO MB

Temporada 1 – O Despertar do Projeto SD

Capítulo 1 – O Último Dia Comum

O despertador tocou exatamente às 6h30.

Bruno Ricardo abriu os olhos antes do segundo toque.

Havia anos que não precisava dele para acordar.

A rotina sempre começava da mesma forma.

Preparava o café enquanto a cidade ainda despertava, abria a janela do apartamento e observava o movimento das primeiras pessoas indo para o trabalho. Ônibus cruzavam as avenidas, motocicletas cortavam o trânsito e comerciantes levantavam as portas de suas lojas.

Tudo parecia absolutamente normal.

Era justamente isso que o incomodava.

Normalidade demais escondia alguma coisa.

Ele pegou a caneca de café e caminhou até uma estante repleta de livros, pastas e pequenos objetos antigos. Entre eles havia uma bússola de metal bastante desgastada.

Ela nunca marcava o norte.

Mesmo assim, Bruno jamais a consertou.

Seu olhar permaneceu nela por alguns segundos antes de guardá-la novamente.

— Ainda não... — murmurou.

O celular vibrou.

Nenhum nome.

Nenhum número.

Apenas uma notificação vazia.

Quando desbloqueou a tela, não havia mensagem alguma.

Mesmo assim, a sensação de estar sendo observado voltou.

Bruno desligou a tela lentamente.

Aquilo já havia acontecido antes.

Não era uma falha do aparelho.

Era um aviso.

...

No caminho para o trabalho, ele fez algo que repetia todos os dias.

Mudou de trajeto.

Não porque estivesse atrasado.

Nem porque o trânsito estivesse ruim.

Era hábito.

Observava reflexos nas vitrines, cruzava ruas diferentes e nunca permanecia muito tempo no mesmo lugar.

Quem o visse de longe imaginaria que era apenas alguém atento.

Quem realmente entendesse aquele comportamento perceberia outra coisa.

Ele estava verificando se alguém o seguia.

Como sempre...

Ninguém.

Ou pelo menos ninguém que desejasse ser visto.

...

O restante da manhã transcorreu sem incidentes.

Reuniões.

Telefonemas.

Documentos.

Conversas comuns.

Tão comuns que chegavam a parecer ensaiadas.

Às vezes Bruno tinha a impressão de que o mundo inteiro fazia força para parecer previsível.

Foi pouco depois do meio-dia que tudo mudou.

Ao retornar para sua mesa, encontrou um pequeno envelope pardo.

Sem selo.

Sem remetente.

Sem identificação.

A recepcionista confirmou que ninguém havia passado por ali.

O envelope simplesmente... apareceu.

Bruno respirou fundo antes de abri-lo.

Dentro havia apenas uma folha dobrada ao meio.

Nenhuma assinatura.

Nenhuma data.

Somente uma frase impressa em letras pretas.

Eles encontraram o Projeto.

Durante alguns segundos, o escritório desapareceu ao seu redor.

O ruído dos computadores.

As conversas.

Os telefones.

Tudo ficou distante.

Seu coração acelerou.

Aquela frase não deveria existir.

Não mais.

Ele virou a folha.

Nada.

Nenhuma explicação.

Nenhuma pista.

Apenas aquelas quatro palavras.

Então algo chamou sua atenção.

No canto inferior do papel havia uma pequena marca quase invisível.

Um símbolo.

Um círculo incompleto atravessado por três linhas.

Bruno congelou.

Fazia muitos anos desde a última vez que vira aquele emblema.

Anos suficientes para acreditar que ele havia desaparecido para sempre.

Ele fechou os olhos por um instante.

Quando os abriu novamente, tomou apenas uma decisão.

Pegou o celular.

Abriu um contato que permanecia sem uso havia muito tempo.

Não havia nome.

Apenas duas letras.

MB.

Seu dedo permaneceu sobre o botão de chamada.

Do lado de fora, o céu começou a escurecer, embora ainda fosse início da tarde.

Como se uma tempestade tivesse decidido chegar antes da hora.

Bruno respirou fundo.

Depois de anos de silêncio...

A guerra estava prestes a recomeçar.

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