UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 2 — Ecos do Passado
UNIVERSO MB
Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD
Capítulo 2 — Ecos do Passado
Bruno não ligou.
O dedo permaneceu sobre a tela por alguns segundos antes de ele apagar o contato.
Não porque tivesse mudado de ideia.
Porque sabia que uma ligação seria o primeiro erro.
Se alguém havia conseguido colocar aquele envelope dentro do escritório, então também poderia estar monitorando seus meios de comunicação.
Ele guardou o celular.
Pegou o envelope.
E deixou a sala.
— Bruno? — chamou uma colega do outro lado do corredor. — Você está bem?
Ele parou.
Por um instante, considerou responder a verdade.
Não estou.
Em vez disso, sorriu.
— Só preciso resolver uma coisa.
— Agora?
— Agora.
Saiu antes que ela pudesse fazer outra pergunta.
O estacionamento estava quase vazio.
Bruno caminhou até o carro sem olhar para trás.
Entrou.
Trancou as portas.
Só então colocou o envelope sobre o banco do passageiro.
O símbolo estava novamente diante dele.
Um círculo incompleto.
Três linhas atravessando o centro.
Ele conhecia aquele símbolo.
Conhecia muito bem.
Mas havia algo errado.
A versão que ele lembrava possuía uma quarta linha.
Uma linha pequena, quase imperceptível.
A nova versão não.
— Então vocês mudaram o símbolo...
Bruno pegou o celular.
Dessa vez, não tentou fazer uma ligação.
Abriu um aplicativo aparentemente comum de anotações.
Digitou uma sequência de números.
A tela piscou.
Por alguns segundos, nada aconteceu.
Então apareceu uma mensagem:
ACESSO NEGADO.
Bruno franziu a testa.
Tentou novamente.
ACESSO NEGADO.
Na terceira tentativa, a mensagem mudou.
PROTOCOLO DESATIVADO HÁ 8 ANOS.
Ele ficou imóvel.
Oito anos.
Era exatamente o tempo que havia passado desde a última operação.
Exatamente o tempo desde que tudo terminou.
Ou deveria ter terminado.
Bruno desligou o celular.
— Não pode ser...
O carro deixou o estacionamento.
Bruno não seguiu para casa.
Também não foi para o trabalho.
Tomou uma estrada secundária que levava para uma região industrial abandonada nos limites da cidade.
Durante todo o percurso, não viu nenhum veículo suspeito.
Isso deveria tranquilizá-lo.
Não tranquilizou.
Era fácil demais.
Quando chegou ao destino, estacionou diante de um antigo galpão.
A fachada estava tomada por ferrugem.
Janelas quebradas.
Portões enferrujados.
Nenhum sinal de atividade.
Bruno desceu.
Caminhou até uma porta lateral.
Passou a mão sobre uma placa enferrujada.
Ainda era possível ler algumas letras:
M.B. INDUSTRIAL
Ele sorriu de leve.
— Vocês realmente não sabem escolher nomes discretos.
Empurrou a porta.
Ela abriu.
O interior do galpão estava completamente escuro.
Bruno entrou.
Fechou a porta.
Esperou.
Nada.
Então caminhou até o fundo.
Parou diante de uma parede de concreto.
Tocou três vezes.
Uma luz vermelha apareceu.
Depois outra.
E outra.
A parede começou a se mover.
O concreto se abriu lentamente, revelando uma passagem subterrânea.
Bruno desceu.
Quanto mais avançava, mais a aparência do lugar mudava.
O velho galpão desaparecia.
Cabos surgiam pelas paredes.
Painéis apagados.
Portas blindadas.
Equipamentos cobertos por lonas.
Até que chegou a uma sala circular.
No centro havia uma mesa.
Sobre ela, dezenas de arquivos.
Todos marcados com o mesmo símbolo.
MB.
Bruno aproximou-se.
Pegou o primeiro.
ARQUIVO 001 — FUNDAÇÃO
Abriu.
As primeiras páginas estavam vazias.
As seguintes também.
Ele pegou outro.
ARQUIVO 014 — OPERAÇÃO REAÇÃO
Outro.
ARQUIVO 027 — PACTO DA LUZ
Outro.
ARQUIVO 031 — A SOMBRA DO MEDO
Bruno parou.
Aqueles nomes pertenciam a operações que deveriam ter sido apagadas.
Todas.
Sem exceção.
Ele continuou procurando.
Até encontrar uma pasta preta.
Não havia número.
Não havia título.
Apenas o símbolo.
Bruno não a abriu.
Ainda.
Porque havia uma coisa escrita no verso.
Uma frase que reconheceria em qualquer lugar.
"Nunca procure o Projeto."
Ele fechou os olhos.
A memória voltou.
Um laboratório.
Alarmes.
Pessoas correndo.
Uma porta se fechando.
Uma voz gritando para ele parar.
E então...
Luz.
Bruno abriu os olhos.
— Eu não procurei vocês.
Sua voz ecoou pela sala vazia.
— Foram vocês que voltaram.
Um ruído surgiu atrás dele.
Bruno ficou imóvel.
Passos.
Lentos.
Uma pessoa estava descendo a escada.
Ele não se virou.
— Você demorou.
A voz feminina veio do corredor.
Bruno reconheceu imediatamente.
— Eu esperava que você tivesse esquecido este lugar.
Ela apareceu na entrada da sala.
Cabelos presos.
Jaqueta escura.
Olhar firme.
Não parecia surpresa em vê-lo.
Parecia irritada.
— Eu tentei — respondeu Bruno.
Ela caminhou até a mesa.
Olhou para a pasta preta.
Depois para ele.
— Então você recebeu a mensagem.
— Recebi.
— E sabe o que isso significa.
Bruno ficou em silêncio.
Ela cruzou os braços.
— Eles encontraram o Projeto SD.
Dessa vez, ouvir aquelas três letras foi diferente.
Não era uma lembrança.
Não era uma ameaça distante.
Era presente.
Estava acontecendo agora.
Bruno olhou novamente para a pasta preta.
— Quanto tempo temos?
Ela hesitou.
Foi apenas por um segundo.
Mas foi suficiente.
— Não temos tempo.
Um som metálico ecoou no corredor.
Os dois olharam para a entrada.
As luzes da instalação se apagaram.
Uma por uma.
Até restar apenas a luz vermelha de emergência.
A mulher deu um passo para trás.
— Bruno...
Ele já estava se preparando.
— Eu sei.
Do outro lado da porta blindada...
alguma coisa bateu.
Uma vez.
Duas.
Na terceira, a porta começou a entortar.
Bruno olhou para ela.
— Parece que encontramos o nosso primeiro problema.
A porta explodiu para dentro.
E a escuridão entrou junto.
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