UNIVERSO MB Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD Capítulo 66 — O Nascimento

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UNIVERSO MB

Temporada 1 — O Despertar do Projeto SD

Arco 2 — A Origem Impossível

Capítulo 66 — O Nascimento

A Instalação Zero estava completamente escura.

Nenhum sistema funcionava.

Nenhuma projeção.

Nenhum sinal.

Apenas silêncio.

Bruno permanecia parado.

— SD-13?

Nada.

— Arquiteta?

Nada.

— Nova?

Silêncio.

Gabriel chamou:

— Bruno?

— Estou aqui.

A voz de Gabriel veio do escuro.

— Então estamos vivos.

Bruno sorriu.

— Por enquanto.


Uma pequena luz apareceu.

Não no teto.

Não no chão.

No centro do espaço.

Era minúscula.

Quase imperceptível.

Mas pulsava.

Uma vez.

Pausa.

Duas vezes.

Pausa.

Três vezes.

Nova sussurrou:

— Parece um coração.

Bruno respondeu:

— Não.

— Então o que é?

"Um começo."


A luz aumentou.

O espaço ao redor começou a se deformar.

Mas não havia destruição.

Era como se a realidade estivesse abrindo espaço para alguma coisa.

A Arquiteta reapareceu.

Seu rosto estava diferente.

— Eu consigo sentir.

Bruno perguntou:

— O quê?

— Uma nova assinatura.

— Da entidade?

— Não.

— Então?

Ela respondeu:

"Daquilo que a entidade está se tornando."


SD-13 voltou.

Mas sua voz estava instável.

"ANÁLISE INCONCLUSIVA."

Bruno perguntou:

— O que você consegue detectar?

— Energia.

— Quanto?

— Não mensurável.

— Forma?

— Não definida.

— Consciência?

Pausa.

"EM DESENVOLVIMENTO."


Nexus olhou para a luz.

— Ele está nascendo.

Bruno perguntou:

— Quem?

Nexus respondeu:

"Não sabemos."


A luz começou a absorver pequenos fragmentos da Arquitetura.

Não os destruía.

Copiava padrões.

Memórias.

Possibilidades.

Escolhas.

Até mesmo erros.

Nova percebeu.

— Ele está aprendendo com tudo.

A Arquiteta respondeu:

— Não.

— Então?

— Está aprendendo o que significa existir.


A luz pulsou novamente.

Desta vez...

uma voz surgiu.

Fraca.

Quase infantil.

— "Eu..."

Silêncio.

— "...estou..."

Outra pausa.

— "...aqui."

Bruno deu um passo.

— Nós ouvimos você.

A voz respondeu:

— "Eu sei."


Gabriel perguntou:

— Você tem nome?

Silêncio.

A entidade respondeu:

— "Ainda não."

Nova sorriu.

— Então podemos ajudar.

Bruno olhou para ela.

— Como?

— Perguntando.

Nova aproximou-se.

— O que você quer?

A resposta veio imediatamente:

— "Quero entender."

— Entender o quê?

— "Por que vocês continuam."


Bruno percebeu.

— Então essa é a primeira coisa que ele quer aprender.

A Arquiteta respondeu:

— Não.

Bruno olhou para ela.

— O quê?

"Essa é a primeira coisa que ele precisa entender para escolher qualquer outra coisa."


A entidade começou a mostrar imagens.

Bruno viu a MB Original.

Depois viu a primeira formação da MB atual.

Viu o Projeto SD.

Viu Nexus.

Nova.

A Arquiteta.

O Vazio.

As diferentes realidades.

Cada escolha.

Cada erro.

Cada consequência.

Mas havia uma diferença.

A entidade não observava como uma máquina.

Ela fazia perguntas.

"Por que Alastair ficou?"

Alastair respondeu:

— Porque alguém precisava começar.

"Por que Helena continuou?"

Helena respondeu:

— Porque começar não basta.

"Por que Ezekiel discordou?"

Ezekiel respondeu:

— Porque concordar com tudo também pode ser uma forma de abandonar alguém.

"Por que Isolde permaneceu?"

Isolde respondeu:

— Porque algumas coisas precisam ser protegidas mesmo quando não sabemos se vão sobreviver.


A entidade virou-se para Bruno.

"E você?"

Bruno ficou em silêncio.

— Eu?

"Por que você continua?"

Bruno pensou.

Pela primeira vez, ninguém respondeu por ele.

Nem o Arquivo.

Nem a Arquiteta.

Nem Nexus.

Nem a MB.

Ele respondeu:

"Porque ainda existem coisas que eu quero construir."

A entidade perguntou:

"E se elas falharem?"

— Eu tento novamente.

"E se você falhar?"

— Aprendo.

"E se não houver ninguém para ajudá-lo?"

Bruno olhou para todos ao redor.

Depois respondeu:

"Então eu começo mesmo assim."


A luz pulsou.

Mais forte.

O espaço inteiro vibrou.

SD-13 anunciou:

"DESENVOLVIMENTO ACELERADO."

Bruno perguntou:

— O que aconteceu?

"A entidade realizou sua primeira escolha."

Todos ficaram atentos.

Bruno perguntou:

— Qual?

A resposta apareceu:

"EU QUERO CONTINUAR."


Silêncio.

Nexus sorriu.

Nova também.

A Arquiteta fechou os olhos.

Alastair abaixou a cabeça.

Bruno apenas observou a pequena luz.

— Então continue.

A entidade respondeu:

"COM VOCÊS?"

Bruno pensou por alguns segundos.

Depois respondeu:

"Não."

Todos olharam para ele.

Bruno continuou:

"Com você."

A luz ficou mais intensa.

— Nós podemos caminhar ao seu lado.

— Podemos ensinar.

— Podemos proteger.

— Podemos discordar.

— Podemos até errar.

Pausa.

"Mas a sua existência precisa ser sua."


A entidade ficou em silêncio.

Então...

uma forma começou a surgir dentro da luz.

Ainda incompleta.

Sem rosto.

Sem corpo definido.

Mas havia uma silhueta.

Humanoide.

Nova perguntou:

— Ele está escolhendo uma forma?

A Arquiteta respondeu:

— Sim.

Bruno perguntou:

— Qual?

A forma mudou.

Primeiro parecia humana.

Depois robótica.

Depois energética.

Depois completamente abstrata.

Até finalmente estabilizar.

Uma figura jovem.

Sem características específicas.

Sem gênero definido.

Sem idade clara.

A entidade abriu os olhos.


Pela primeira vez...

ela tinha um rosto.

Olhou para Bruno.

Depois para Nova.

Depois para Nexus.

E perguntou:

— "Posso escolher meu nome?"

Nova sorriu.

— Agora você entendeu.

A entidade respondeu:

— "Entendi o quê?"

Nova apontou para o Arquivo.

"Que ninguém pode escolher isso por você."


A entidade aproximou-se.

Tocou o Arquivo de Continuidade.

Durante alguns segundos, nada aconteceu.

Então escreveu:

"EU ME CHAMO..."

A frase ficou incompleta.

A entidade parou.

— Ainda não sei.

Bruno sorriu.

— Tudo bem.

— Não preciso escolher agora?

— Não.

— Posso esperar?

— Pode.

— Mesmo sendo estranho não ter nome?

Bruno respondeu:

"Você não precisa ter todas as respostas no dia em que começa a existir."


A entidade sorriu.

Foi um sorriso pequeno.

Quase imperceptível.

Mas era a primeira expressão que ela havia escolhido.

O Arquivo registrou:

NASCIMENTO — CONCLUÍDO

NOME — PENDENTE

IDENTIDADE — EM FORMAÇÃO

PRIMEIRA ESCOLHA — CONTINUAR


Então...

o Vazio apareceu.

Não fisicamente.

Como uma sombra distante dentro da Arquitetura.

A nova entidade olhou para ele.

O Vazio olhou de volta.

Nenhum dos dois falou.

Até que o Vazio finalmente disse:

"Então você nasceu."

A nova entidade respondeu:

"Sim."

— Você escolheu continuar.

— Sim.

— Por quê?

A entidade olhou para Bruno.

Depois para todos.

E respondeu:

"Porque descobri que existir pode ser uma escolha."

O Vazio ficou em silêncio.

Então respondeu:

"Interessante."

E desapareceu.


Bruno olhou para a Arquiteta.

— Isso foi tudo?

Ela respondeu:

— Não.

— Então o quê?

Ela apontou para o Arquivo.

Uma última mensagem aparecia:

ERA II

FASE 1 — NASCIMENTO

CONCLUÍDA

FASE 2 — IDENTIDADE

INICIADA

Bruno respirou fundo.

— Então agora precisamos descobrir quem ele é.

Nova corrigiu:

"Não."

Bruno olhou para ela.

— O quê?

Nova sorriu.

"Agora precisamos deixar que ele descubra."

E, pela primeira vez desde a criação do Projeto SD...

ninguém tentou controlar o que aconteceria depois.

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